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A ideia de se criar um museu aeronáutico é anterior a própria criação do ministério da aeronáutica. Os amantes da aviação sentiam falta de um local adequado para a guarda e preservação da documentação histórica relacionada ao assunto.

Algumas décadas já haviam se passado desde o voo do mais pesado do que o ar e muitos países já possuíam um museu dedicado a esse setor. No entanto, o Brasil ainda não havia se mobilizado para tal organização. Acreditava-se que um museu ajudaria a defender o pioneirismo de Santos Dumont, o brasileiro que, em 1906, realizou o primeiro voo do mais pesado que o ar em Paris.

Até a criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, nada de concreto havia sido feito para a construção desse espaço nem para a organização de um acervo especializado. Por essa razão, em dezembro de 1943, Salgado Filho, o primeiro Ministro dessa pasta, designou, por meio da portaria n.º 237, o aviador civil José Garcia de Souza para reunir todo o material que a Escola de Aeronáutica, então sediada no Campo dos Afonsos, pudesse ter, a fim de viabilizar a criação de um futuro museu da Aeronáutica, porém, ainda não existia um espaço físico para a construção do mesmo.

A partir desse momento, José Garcia publicou comunicados nas revistas de aviação da época, solicitando doações de fotografias e objetos que pudessem compor a primeira exposição de aeronáutica, que aconteceria no Ministério da Educação, no Palácio Gustavo Capanema.

Com seus anúncios, o aviador conseguiu reunir livros, documentos e vários objetos importantes para comporem o futuro museu, a fim de enaltecer e preservar a história da aviação.

Assim, na década de 50, o Brigadeiro Nero Moura, o então Ministro da Aeronáutica, assinou uma portaria, designando o retorno dos trabalhos já iniciados pelo aviador José Garcia para a organização do acervo do futuro museu, ainda sem local definido para a sua sede.

Muitos dos materiais recolhidos por José Garcia ficavam sob a posse da Escola de Aeronáutica, que, em 1967, criou o seu próprio museu no pavilhão Van Ness, hoje o prédio do Centro de Documentação da Aeronáutica – CENDOC.

Em 1969, a Escola de Aeronáutica passa a ser chamada Academia da Força Aérea, sendo esta transferida para Pirassununga, em 1971, deixando suas instalações no lendário Campo dos Afonsos.

Finalmente, atendendo à exposição de motivos do Ministro da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro do Ar Araripe Macedo, o presidente Emílio Garrastazu Médici, cria o Núcleo do Museu Aeroespacial, em 31 de julho de 1973, por meio do Decreto nº 72.553, ocupando as antigas instalações da Academia da Força Aérea. Contudo, apesar da sua criação, aquele museu ainda não havia sido aberto ao público, uma vez que seu acervo estava sendo organizado.

Desta forma, o Major Especialista em Aviões João Maria Monteiro, designado como primeiro Diretor do MUSAL, juntamente com seu corpo técnico, deu início a várias ações para a organização desse novo museu. Em janeiro de 1974, iniciaram-se os trabalhos de restauração do prédio e hangares (antiga “Divisão de Instrução de Voo” da Escola de Aeronáutica).

Em 18 de outubro de 1976, o MUSAL é finalmente inaugurado, sendo aberto ao público com 42 aeronaves em seu acervo, destacando-se o primeiro protótipo YC-95 Bandeirante, um Thunderbolt P-47D, um Gloster Meteor F-8, dentre vários outros.

As exposições do museu eram dedicadas a temas específicos como sala dos motores, instrumentos de voo e hélices; sala dedicada ao Ministro Salgado Filho e outra à aviadora Anésia Pinheiro Machado; além de um espaço expositivo sobre a atuação do Primeiro Grupo de Aviação de Caça na segunda grande guerra.

Ao longo de sua gestão, o Major Monteiro teve papel fundamental com ações extremamente relevantes para transformar um sonho da criação de um museu em realidade, criando o alicerce de um espaço cultural e histórico de excelência.

Simultaneamente à aquisição de aeronaves, coleta de materiais e restauração de aviões, motores e armas, uma equipe de técnicos foi designada com o objetivo de estabelecer os padrões museológicos que seriam adotados para classificar e coletar peças de valor histórico para compor o acervo.

Em 1983, o Major Monteiro deu lugar ao Coronel Aviador Adauto Lorena, que deu continuidade ao trabalho de aquisição do acervo e consolidação do museu aeroespacial. Entre várias ações, durante os dois anos de sua gestão, destacam-se a criação do brasão e do estandarte do MUSAL e o recebimento de uma aeronave Focke Wulf 44-J Stieglitz como doação do Governo Argentino.

Em 1986, assumiu a Direção do MUSAL o Tenente Coronel Aviador Antonio Claret Jordão, que direcionou suas energias a tarefa de ampliar o acervo, adquirindo aeronaves por permuta e doações. Um exemplo dessas ações foi a aeronave civil norte americana “Ventura”, que foi restaurada no padrão PV-1 “Ventura”, versão militar.

Durante os quase 13 anos da gestão do Coronel Jordão, vários fatos marcantes ocorreram, dos quais destacamos: a reinauguração da Biblioteca José Garcia de Souza, que havia sido temporariamente fechada para melhorias; a aeronave WACO CSO foi colocada em exposição, após o termino de sua restauração; a incorporação da aeronave “Viscount”, que servia ao transporte da Presidência da República; e a aprovação do primeiro regulamento do Museu Aeroespacial.

Com o falecimento do Coronel Jordão, foi designado para sua sucessão o Brigadeiro Araguaryno Cabrero dos Reis, figura conhecida e respeitada por sua grande cultura aeronáutica.

Em sua gestão, o Brigadeiro Araguaryno deu ênfase a modernização dos procedimentos museológicos e administrativos, além da continuidade na aquisição e restauração do acervo, reformas nas edificações para melhor salvaguardar os itens museológicos, além de melhor atendimento o público. Um dos fatos marcantes de sua gestão foi, após 18 anos de trabalhos, a conclusão da restauração extremamente complexa da aeronave Focke Wulf FW58B-2, realizada pela equipe do MUSAL.

Em abril de 2001, o Brigadeiro do Ar Márcio Bhering Cardoso assume a Direção do MUSAL. Durante sua gestão, o MUSAL incorporou 34 aeronaves, alcançando um total de 138 aeronaves, além de reformar todas as dependências do museu, criando 12 novas salas de exposição, com destaque para as salas “FAB na Guerra”, “Primórdios da Aviação” e “Embraer”, conquistando assim o título de “maior museu de aeronáutica da América do Sul”.

Após 16 anos como Diretor do MUSAL, em 2017, o Brigadeiro Bhering passou a direção para o Brigadeiro do Ar Luiz Carlos Lebeis Pires Filho.

Durante sua gestão, diversas intervenções na infraestrutura e nos processos do museu foram realizados, a fim de modernizar e atualizar a instituição, como, por exemplo, a construção da nova sala “FAB na Guerra”, sendo um ambiente mais amplo e moderno, possibilitando melhores interatividades do visitante com as informações disponibilizadas.

Ressaltam-se ainda as grandes reformas nos pisos e telhados dos hangares e incorporação das instalações e acervo do então recém-extinto Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos. Nesse período, o MUSAL recebeu o prêmio “Certificado de Excelência” do site TRIPADVISOR, que visa reconhecer os estabelecimentos que oferecem experiências únicas aos seus visitantes.

No dia 06 de abril de 2020, o Brigadeiro Lebeis foi sucedido pelo atual Diretor do Museu Aeroespacial, o Brigadeiro do Ar Mauricio Carvalho Sampaio, que assumiu a Direção com o compromisso de dar continuidade no legado de preservar a história e cultuar tradições da aviação.

Logo no início da atual gestão, por conta da pandemia de COVID-19, o MUSAL foi obrigado a suspender as visitações, bem como adequar sua forma de trabalho.

Cumprindo-se todos os protocolos do Comando da Aeronáutica e das autoridades sanitárias, foi possível o retorno da maior parte do efetivo às atividades laborais, intensificando-se, assim, uma série de melhorias e adequações administrativas, focando na modernização, restauração de acervos, aquisição de itens para os setores do museu, entre outras ações, das quais se pode citar a restauração completa da emblemática aeronave B-25, modelo responsável pelo Batismo de Fogo da Força Aérea Brasileira, bem como a parceria com a Fundação Osvaldo Cruz, que possibilitou a conservação e preservação dos dois escrínios com os corações de Santos Dumont e do Marechal Eduardo Gomes, Patrono da Força Aérea Brasileira.

Ao longo de mais de 50 anos de existência, o Museu Aeroespacial passou por várias transformações e processos de melhorias e modernizações, tornando-se detentor de um expressivo acervo com mais de 150 aeronaves; aproximadamente 16.000 objetos museológicos; e uma biblioteca com cerca de 23 mil itens em diferentes idiomas, possuindo exemplares de inestimável valor histórico e cultural.

Ao atingir seu Jubileu de Ouro com excelência de trabalhos, tem-se a plena certeza que os pensamentos visionários daqueles que um dia sonharam com um museu da Aeronáutica, para enaltecer o pioneirismo de Alberto Santos Dumont e outros, estavam em estreito alinhamento com todos os que, com comprometimento, um dia labutaram e ainda labutam pela nobre missão do MUSAL: “Preservar e divulgar o patrimônio cultural da Aeronáutica Brasileira, por intermédio de seu acervo histórico”.

 

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