

Nesta terça-feira, 17 de março de 2026, o Museu Aeroespacial (MUSAL) concluiu a parte teórica do 12º Curso de Capacitação de Mediadores. Com carga horária superior a 20 horas, o curso teve como objetivo preparar militares para conduzir visitas guiadas e ajudar o público a conhecer melhor a história da aviação civil e militar brasileira. Realizado ao longo de cinco dias úteis — entre 11 e 17 de março — o curso reuniu oito participantes, incluindo militares da Universidade da Força Aérea (UNIFA) e da Base Aérea dos Afonsos (BAAF).
A instrução foi iniciada com a apresentação da Tenente Coronel QFO MUG Vilma Souza dos Santos, Chefe da Subdivisão de Patrimônio Cultural, e da Servidora Civil Monica de Macedo Gonçalves, Chefe do Setor de Recursos Educativos e Atendimento ao Público (SREAP). Ambas destacaram a importância da mediação como ferramenta essencial para transformar a visita ao museu em uma experiência abrangente, inclusiva e imersiva. Segundo a Chefe do Setor de Recursos Educativos, o foco da iniciativa vai além da qualificação técnica. “O principal objetivo de formar novos mediadores para o MUSAL é garantir que o público tenha uma experiência rica, acessível e significativa, superando a simples observação das peças”, afirmou.

A programação abordou temas fundamentais para a mediação em museus, como Educação Museal, Atendimento ao Público e Acessibilidade Atitudinal. Também foram explorados conteúdos sobre os Primórdios da Aviação, a História da Força Aérea Brasileira (FAB), Generalidades de Aeronaves, a participação da FAB na Segunda Guerra Mundial, Operações de Busca e Salvamento (SAR), Esquadrilha da Fumaça (EDA), Armas, Aerofotogrametria e a contribuição das mulheres na aviação, entre outros tópicos relevantes.
Ao longo do curso, os alunos destacaram o impacto do conteúdo apresentado e a forma como a experiência ampliou suas percepções sobre o acervo do museu, ressaltando o caráter transformador da experiência no curso.
O Aspirante Historiador Elias de Araújo Thomaz, da UNIFA, disse que a forma como o conteúdo foi apresentado ampliou suas percepções sobre o acervo do museu: “Confesso que, depois desses cinco dias de instrução, o que mais me chamou atenção foi a vasta história contida no museu, que além de emocionar o público, acredito que é capaz de transformá-lo de forma cultural e social. Objetos, narrativas e principalmente a vasta coleção de aeronaves me surpreenderam”. Ele também destacou o papel do mediador na experiência do visitante. “Quero poder fazer parte desse momento, convidando a novas descobertas e contribuindo de forma significativa para a disseminação do conhecimento”, afirmou.
Para o Segundo Tenente Roberval Corrêa Espadim, o curso proporcionou uma mudança de perspectiva sobre o próprio museu. “O fato histórico que mais me surpreendeu foi a Campanha do Atlântico Sul durante a Segunda Guerra Mundial. Eu olhava para aviões antigos sem muita admiração, mas o acervo ganhou uma nova vida quando entendi a participação ativa do Brasil no conflito”, explicou. Ele também destacou a importância simbólica do emblema “Senta a Pua!” e seu potencial educativo: “Pretendo transformar a visita em uma homenagem aos veteranos, mostrando que cada detalhe das aeronaves carrega histórias de coragem e engenhosidade”.

A Aspirante Historiadora Roberta Cristina da Silva Cruz também enfatizou a relevância histórica apresentada durante a formação. “O que mais me surpreendeu foi compreender, de forma mais ampla, o papel de destaque do Brasil na história da aviação mundial. Esse entendimento ampliou meu olhar sobre o acervo, permitindo reconhecê-lo como um verdadeiro testemunho da contribuição da aeronáutica brasileira”, afirmou. Segundo ela, a intenção é transmitir esse conhecimento ao público “Quero que o visitante se reconheça como parte dessa história, sentindo-se valorizado e acolhido no museu”, prometeu.
Já o Sargento Marcos Vinicius Grimião de Paiva, da Base Aérea dos Afonsos, destacou o impacto pessoal e profissional da capacitação. “Mesmo após 21 anos de serviço, posso afirmar que o curso mudou minha visão sobre a Instituição. Passei a enxergar com mais clareza o valor histórico, humano e simbólico de cada peça do acervo”, declarou. Ele também elogiou a metodologia adotada pelos instrutores: “A forma como eles ensinam, buscando envolver o público e gerar uma verdadeira imersão, faz toda a diferença. A vibração e o amor pela história são contagiosos”.

De acordo com a coordenação do curso, a formação não se encerra na etapa teórica. A metodologia prevê ainda quatro fases progressivas de treinamento prático, nas quais os participantes irão aplicar os conhecimentos adquiridos em situações reais de mediação. Essa etapa será supervisionada por profissionais experientes e tem como objetivo desenvolver a segurança, a comunicação e a autonomia dos novos mediadores. A expectativa é que, ao final do processo, os participantes estejam aptos a conduzir visitas guiadas de forma independente, oferecendo ao público informações precisas e uma experiência enriquecedora.
Com iniciativas como essa, o MUSAL consolida seu papel como espaço de educação e memória, contribuindo para que novas gerações compreendam a relevância da aviação na história do país. A expectativa é que os novos mediadores, agora em fase prática de capacitação, atuem como ponte entre o acervo e o público, garantindo que o conhecimento seja transmitido de forma clara, acessível e inspiradora.
Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)
Revisão: Cel Av R/1 SARANDI Oliveira da Silva
Fotos: S1 Lucas de ARAÚJO Gomes
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