Ir direto para menu de acessibilidade.
Slideshow > Exposições e obras estruturais em 2025 reforçam o compromisso do Museu Aeroespacial com o patrimônio e a acessibilidade
Início do conteúdo da página

O ano de 2025 marcou um ciclo de avanços significativos no Museu Aeroespacial (MUSAL), reforçando o compromisso com a preservação do patrimônio aeronáutico e com a melhoria contínua da experiência do visitante. Ao longo do ano, o MUSAL entregou novas salas expositivas permanentes, revitalizou áreas internas do prédio principal e implementou ações de acessibilidade que o tornaram mais inclusivo para famílias, pessoas com deficiência e visitantes de todas as idades.

Modernização e Expansão: O Novo Hall Expositivo

O Hall do Segundo Andar do Prédio Principal passou por uma modernização completa, focada em conforto e no fluxo de visitação.

Um dos pontos altos das melhorias está na infraestrutura de apoio ao visitante. Foram criados três novos banheiros – masculino, feminino e o modelo familiar/PCD (Pessoa com Deficiência) – todos equipados com sinalização clara e recursos de acessibilidade, um avanço significativo para acolher famílias e pessoas com algum tipo de deficiência.

Para garantir o bem-estar dos visitantes em um espaço de grande fluxo, foram instalados novos sistemas de climatização, que incluem aparelhos de ar-condicionado e cortinas de ar. Além disso, foi aprimorada a experiência expositiva com a reorganização completa do ambiente, que agora conta com nova ambientação, um projeto de iluminação e a definição de um fluxo orientado.

O envelopamento artístico do elevador, inspirado na estética e na imagem de Santos-Dumont, transformou este elemento de circulação em uma peça temática central, integrando a homenagem ao Pai da Aviação de maneira harmoniosa ao ambiente. Complementando o novo visual, a instalação de quadros temáticos torna o ambiente mais acolhedor, dinâmico e informativo. Por fim, em um gesto de preservar a história do prédio histórico, foi preservada e destacada uma peça original do piso antigo do MUSAL, localizada estrategicamente na área de circulação, que remete diretamente às origens do complexo no Campo dos Afonsos.

Exposição com peças de acervo diretamente relacionadas às invenções de Santos-Dumont

O Hall do segundo andar do prédio principal do Museu Aeroespacial (MUSAL) abriga agora uma nova exposição dedicada a Alberto Santos Dumont. A mostra apresenta peças que ilustram seu vasto campo de invenção, como as réplicas da engenhosa Catapulta para Salvamento Marítimo e o icônico mobiliário parisiense (mesas e cadeiras altas). O acervo é complementado por reproduções históricas do pioneiro Balão Brasil (1898) e o histórico Dirigível Nº 6.

A Catapulta Salvadora de Santos Dumont em exposição

O legado de Alberto Santos Dumont é amplamente reconhecido por suas contribuições pioneiras para a aviação mundial, mas sua genialidade se estendeu a soluções práticas e acessíveis para desafios cotidianos da sua época. A exposição apresenta uma Réplica da Catapulta para Salvamento Marítimo.

Visualmente, a estrutura se assemelha a um grande arco, montada sobre um eixo com rodas de grandes dimensões. Por ser montada sobre rodas, a catapulta poderia ser facilmente transportada até praias, rios ou embarcações, permitindo sua atuação em salvamentos no mar aberto ou em áreas litorâneas.

Este dispositivo foi projetado por Santos Dumont especificamente para o resgate de banhistas em perigo de afogamento. Seu princípio de funcionamento é engenhoso e direto: utilizando a técnica de um grande arco, a catapulta lança projéteis com precisão. Em vez de setas comuns, ela utilizava flechas equipadas com bolas de borracha e cordas resistentes. A flecha era disparada em direção à vítima no mar, levando consigo a corda. Ao atingir a pessoa, a bola de borracha flutuante garantia que tanto a flecha quanto a corda permanecessem na superfície d’água até que o resgate pudesse ser concluído de forma segura.

Réplica de Mesa e Cadeiras Altas de Santos Dumont

O Pai da Aviação, uma das figuras mais notáveis do início do século XX em Paris, destacou-se não apenas por suas invenções nos céus, mas também como um influenciador de estilo, moda e tendências na alta sociedade da capital francesa. A réplica de mesa e cadeiras altas, peças singulares que materializam a inventividade e o design funcionalista aplicados pelo inventor brasileiro ao seu cotidiano.

A peça central da exposição é a réplica do mobiliário incomum que Santos Dumont concebeu para seu apartamento nos Champs-Élysées, Paris – França. Consistindo em mesas e cadeiras com aproximadamente dois metros de altura, o conjunto era acompanhado por pequenas escadas, como pode ser observado na composição. Este design peculiar não era meramente estético, mas possuía uma finalidade específica, alinhada à visão criativa e, por vezes, original do inventor.

O objetivo principal de Santos Dumont ao projetar essa mobília era proporcionar aos seus convidados uma experiência diferenciada durante as refeições: a sensação de "estar nas alturas", ou de compartilhar o ponto de vista que ele tanto apreciava a bordo de seus balões e aeronaves. A exigência do uso de um degrau para sentar-se na cadeira ou apoiar-se à mesa transforma um hábito cotidiano em um ato consciente e memorável.

Exposição: do Balão Brasil ao Histórico Dirigível Nº 6

Uma das peças suspensas é a réplica do cesto do Balão Brasil, que Santos Dumont lançou em 4 de julho de 1898, em Paris. A réplica, com seu formato esférico e a rede característica (gaiola), remete aos primórdios da jornada do inventor, quando ele se dedicou à construção de balões inflados por gás, buscando inicialmente o domínio dos ares através da leveza. O Brasil foi o primeiro balão livre concebido e construído por Santos Dumont. Embora não fosse dirigível, sua criação representou o ponto de partida para a fase de experimentação mais intensa do brasileiro, permitindo-lhe aprimorar técnicas de flutuação e controle atmosférico que seriam cruciais para o desenvolvimento posterior dos dirigíveis.

A segunda réplica é uma representação do formato de um de seus dirigíveis, o famoso Dirigível Nº 6. A importância histórica do Nº 6 é inegável, pois foi com ele que Santos Dumont realizou um dos feitos mais espetaculares da aviação no início do século XX: a vitória no Prêmio Deutsch de la Meurthe. Em 19 de outubro de 1901, o inventor brasileiro pilotou o Nº 6 no trajeto de ida e volta entre o Parque Saint-Cloud e a Torre Eiffel, em Paris, completando o percurso em um tempo inferior aos 30 minutos exigidos pelo regulamento. Esta demonstração pública e bem-sucedida comprovou a dirigibilidade controlada de um aparelho aéreo. Este feito não apenas lhe rendeu o prêmio, mas consolidou sua posição como pioneiro e visionário, abrindo caminho para o desenvolvimento dos dirigíveis como meio de transporte e marcando a transição da era dos balões não dirigíveis para a aviação moderna.

As melhorias estruturais e o novo Hall do Segundo Andar são apenas o ponto de partida desta nova fase do MUSAL. Ao longo do mês de Janeiro, convidamos você a mergulhar conosco nos detalhes de quatro Salas Temáticas Permanentes que integram o pavimento superior do prédio principal. Prepare-se para se emocionar com as trajetórias inspiradoras na Sala Personalidades, onde repousa o coração do Marechal do Ar Eduardo Gomes; viajar no tempo até o gabinete original do 1º Ministro da Aeronáutica em 1941, na Sala Salgado Filho; conhecer os bastidores das missões de Busca e Salvamento (SAR), com equipamentos reais utilizados em resgates; e, por fim, revisitar a genialidade do Pai da Aviação na renovada Sala Santos Dumont.

 

Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)

Revisão: CelAv R/1 SARANDI Oliveira da Silva

Fim do conteúdo da página