Solenidade recebeu acervo histórico do Museu Aeroespacial no pátio operacional da Base Aérea dos Afonsos para celebrar os 81 anos da Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA) e os 80 anos do retorno das equipes médicas da FAB na 2ª Guerra Mundial

Nesta terça-feira (16/12), o acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL) abrilhantou o dispositivo da solenidade alusiva ao 81° Aniversário de Criação da Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA) e aos 80 Anos do retorno dos Heróis do Serviço de Saúde da FAB da 2ª Guerra Mundial. Realizada no Pátio Operacional da Base Aérea dos Afonsos (BAAF), no Rio de Janeiro, a cerimônia contou com aeronaves e equipamentos que ajudaram a contar a história de como a saúde operacional se consolidou como um vetor de combate indispensável e um pilar estratégico para a capacidade de resposta imediata em resgates e emergências.


A exposição chamou a atenção pela variedade e pela carga simbólica. Foram expostas as aeronaves P-47 Thunderbolt, Learjet (U-35A) e Piper L-4H, além dos helicópteros H-55 (Esquilo), H-34 (Super Puma) e H-1H (Iroquois). Um Jeep da 2ª Guerra Mundial completou a ambientação, reforçando o vínculo visual com o período histórico. Além dos meios de transporte, a equipe do MUSAL montou uma exposição histórica sobre a Saúde da FAB na 2ª Guerra Mundial, com painéis históricos — incluindo um material do Centro de Documentação da Aeronáutica (CENDOC) —, vitrines temáticas, um manequim com uniforme de enfermeira e um quadro sobre as primeiras profissionais vinculadas ao esforço de guerra.




Criada em 12 de dezembro de 1944, ainda sob o impacto dos combates da Segunda Guerra Mundial, a instituição responsável pela gestão do Sistema de Saúde da Aeronáutica (SISAU) celebrou seu aniversário consolidando uma profunda transformação digital e estrutural. Nesse contexto, a DIRSA reforça a importância da prontidão e da operacionalização da saúde, pilares essenciais para garantir resposta rápida em situações de paz ou emergência. Investimentos contínuos em tecnologia, telemedicina, capacitação, protocolos, logística e infraestrutura são fundamentais para manter cada Unidade alinhada às necessidades operacionais da FAB. Em 2025, a Diretoria de Saúde da Aeronáutica, que hoje atende cerca de 290 mil beneficiários em todo o Brasil, destacou-se por um conjunto expressivo de realizações que impactam diretamente a qualidade da assistência.


A origem da DIRSA remonta à estruturação do então Ministério da Aeronáutica, quando seu quadro inicial foi formado por médicos oriundos da Sociedade Civil, da Marinha e do Exército. Sob a liderança do Brigadeiro Médico Ângelo Godinho dos Santos, o primeiro Diretor e Patrono do sistema, a Instituição nasceu com a missão de dar suporte a uma Força Aérea em formação. Oito décadas depois, atualmente sob o comando do Major-Brigadeiro Médico Laerte Lobato de Moraes, a Diretoria defende que o ato de cuidar vai além da aplicação técnica, exigindo empatia, comunicação clara e respeito. Ainda de acordo com o comando, é fundamental promover ambientes seguros e de confiança que valorizem a dignidade humana, conciliando a "arte de cuidar" com a disciplina e a organização, características que marcam o atendimento na Força Aérea Brasileira.


As aeronaves escolhidas para compor o cenário da solenidade representam missões cruciais e marcos de relevância histórica para a Força Aérea e para o Brasil:
P-47 “Thunderbolt” (Republic P-47D): Ícone da aviação de combate, operado pela FAB de 1944 a 1958, o P-47D é um caça-bombardeiro robusto que se tornou o símbolo da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. O exemplar (matrícula estadunidense 45-49151) é um F-47D-30-RA modificado para D-40 que voou no Brasil de 1953 a 1958. Sua pintura representa o avião do 1º Tenente Aviador Luiz Lopes Dornelles, um P-47D-25-RE (matrícula estadunidense 42-26766), que foi abatido na Itália em 26 de março de 1945 quando era pilotado pelo 1º Tenente Aviador Othon Correia Neto, que foi feito prisioneiro de guerra. Foi recebido pelo MUSAL em 8 de outubro de 1987. Equipado com um poderoso motor radial Pratt & Whitney R-2800-59 Double Wasp de 2.300 hp, radial de 18 cilindros foi armado com oito metralhadoras Browning .50”, 2 bombas de 453 kg e 6 foguetes 127 mm, nas asas; 1 bomba de 226 kg sob a fuselagem.

U-35A “Learjet” (Gates Learjet 35A): Sinônimo de velocidade e versatilidade, o Learjet 35A foi incorporado à FAB em 1987 para atender à demanda por transporte de autoridades do governo e substituir os RC-130 nas missões de aerofotogrametria estratégica. Foram adquiridas 12 aeronaves, sendo nove destinadas para o Grupo de Transporte Especial (GTE) e três para o 1º/6º Grupo de Aviação, estas últimas exercendo funções de aerofotogrametria e reconhecimento. Graças aos seus dois motores turbofan Garrett TFE 731-2-2 B de 3.500 lb de empuxo e alcance de 3.690 km, a aeronave foi largamente utilizada como UTI Aérea, evacuação aeromédica, transporte de órgãos e da equipe de transplante, além do atendimento às necessidades da população brasileira através do Correio Aéreo Nacional (CAN).

L-4 “Grasshopper” (Piper L-4H): um avião para dois tripulantes utilizado para ligação e reconhecimento. Foi desenvolvido para uso militar durante a Segunda Guerra Mundial, a partir do modelo civil Piper Cub Trainer. As forças armadas brasileiras (Exército e Força Aérea) utilizaram esses aviões em conjunto com a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1ª ELO), durante a Campanha da Itália. O exemplar representa os modelos L-4H da 1ª ELO (fabricados em 1943) que operaram durante a Segunda Guerra Mundial. Originalmente, este é um avião civil Piper J-4B Coupé, fabricado em 1939, de matrícula PP-TEX, equipado com um motor Franklin 4AC-176-BA-2 de 65 hp. Foi recebido pelo MUSAL em 26 de julho de 2001.

Os helicópteros escolhidos para compor o cenário da solenidade foram: H-55 (Esquilo), H-34 (Super Puma) e H-1H (Iroquois).

H-1H “Iroquois” (Bell 205): O BELL 205 é um helicóptero militar com capacidade para dois tripulantes e onze passageiros, podendo transportar até 06 macas. Aeronave que se notabilizou na Guerra do Vietnã, o exemplar (FAB 8668) serviu à FAB desde 1972 em missões críticas, incluindo C-SAR (resgate em combate), busca e resgate (SAR) e evacuação aeromédica. Com um motor turboeixo Lycoming T53-L-13 de 1.400 s.h.p., esta máquina de 17,40 metros de comprimento marcou a era de ouro dos helicópteros utilitários na Força Aérea.
H-55 “Esquilo” (Helibrás HB-355F2): Diferenciando-se pela maior potência de sua configuração biturbina, o HB-355F2 é um helicóptero de múltiplo emprego montado no Brasil após acordo entre a Helibrás e a francesa Aérospatiale. Designado na Força Aérea Brasileira como H-55 (ou VH-55 em sua versão VIP), o vetor desempenha funções de alto prestígio, como o transporte do Presidente da República pelo Grupo de Transporte Especial (GTE) e a formação de pilotos de ensaio no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Equipado com duas turbinas Allison 250-C20F de 420 SHP cada, a aeronave possui 10,93 metros de comprimento e alcança uma velocidade máxima de cruzeiro de 224 km/h. Sua versatilidade técnica permite ainda a instalação de armamentos como lançadores de foguetes e metralhadoras MAG 7,62 mm, consolidando-o como uma plataforma robusta para missões logísticas e de segurança.
H-34 “Super Puma” (Aérospatiale AS.332 M/M1): Operado pelo 3º/8º Grupo de Aviação (Esquadrão Puma) por 29 anos, o CH-34 é um vetor de grande porte e alta capacidade. Equipado com dois Turboeixos Turbomeca Makila 1ª, de 1.780 Shp, o Super Puma (matrícula FAB 8733) realizou missões logísticas complexas, transporte de comitivas presidenciais e autoridades e, notadamente, o apoio aéreo essencial na evacuação de vítimas de desastres naturais e busca de sobreviventes em acidentes aeronáuticos.




Para além das aeronaves, a ambientação do pátio foi completada por um Jeep da 2ª Guerra Mundial e por uma Exposição Histórica sobre a Saúde da FAB, conjunto que detalhou a atuação das equipes médicas no Teatro de Operações:
Jeep Willys MB (1941): O Willys MB (comumente chamado de Jeep, designação oficial do Exército Americano Truck, 1/4 ton, 4x4 e Ford GPW) foi um automóvel utilitário leve 4x4 produzido durante a Segunda Guerra Mundial pela Willys Overland e pela Ford. Foi produzido de 1941 a 1945, em um total de aproximadamente 647 925 unidades, que em sua maioria foram a versão Willys MB (produzida pela Willys) e o Ford GPW (produzida pela Ford). O exemplar preservado pelo MUSAL (EDI 1ºBRFS 350 FG) materializa a logística vital que conectava as bases aéreas às linhas de frente. Veículos como este foram fundamentais para o transporte rápido de feridos em terrenos acidentados e para a mobilização de tropas em zonas onde a aviação dependia de suporte terrestre robusto.




Instrumental Médico e Kits de Sobrevivência: Kit de Primeiros Socorros "Kit First-Aid Aeronautic", componente crítico para a sobrevivência de tripulações abatidas, contendo cristais de sulfanilamida (para prevenir infecções em feridas abertas), ampolas de morfina Syrette (para controle de dor severa) e pastilhas de Halazone (para purificação de água). Estojos de lona originais exibem pinças hemostáticas, tesouras cirúrgicas e cubas-rim esmaltadas, ferramentas essenciais para a esterilização e intervenções realizadas sob as condições adversas dos hospitais de campanha.

Documentação e Equipamento Individual: A memória institucional e a identidade do combatente também ganham espaço. O acervo inclui documentos raros, como boletins da Escola de Aviação Militar de 1919, que contextualizam a evolução dos critérios de aptidão física. Entre os itens pessoais, figuram as Dog Tags (placas de identificação metálicas), cantis com capas de lona e cintos de guarnição padrão U.S. Army, equipamentos amplamente utilizados pelas forças brasileiras no Teatro de Operações europeu.

O Pioneirismo da Enfermagem: A presença feminina no front é homenageada através da representação das primeiras Enfermeiras da Reserva da Aeronáutica. Um manequim traja o uniforme de serviço original, composto por túnica cáqui com botões dourados, insígnias e bibico. Esta vestimenta simboliza a coragem e a dedicação das profissionais que atuaram diretamente na evacuação aeromédica, garantindo o suporte vital e o conforto aos combatentes feridos durante o regresso da zona de combate.

A celebração reafirmou a sintonia entre a Diretoria de Saúde da Aeronáutica e o Museu Aeroespacial (MUSAL) em torno de um objetivo comum: honrar quem defendeu a Pátria e projetar o futuro da assistência. Enquanto o MUSAL mantém viva a memória dos heróis da guerra através de seu acervo, a DIRSA assegura a continuidade da modernização técnica. Essa união entre o legado histórico e o presente tecnológico fortalece o suporte operacional e preventivo às unidades da FAB em todo o território nacional.
Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)
Revisão: CelAv R/1 SARANDI Oliveira da Silva
Apoio apuração: SGT RENATA Costa Muniz Lomboni
Fotos: Assessorias de Comunicação do MUSAL, DIRSA e BAAF
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