
O Museu Aeroespacial (MUSAL) realizou, no domingo, 14 de dezembro de 2025, uma cerimônia reservada para reapresentação da histórica aeronave Douglas A-26B, marcando oficialmente, após sua restauração, o retorno do exemplar ao circuito expositivo do museu. A solenidade foi presidida pelo Diretor do MUSAL, Brigadeiro do Ar Mauricio Carvalho Sampaio, com a presença do Brigadeiro do Ar Márcio Bhering Cardoso, ex-diretor do Museu; do Coronel Aviador Reformado Benício Angelo Spina, ex-piloto do Douglas A-26B; do Coronel Aviador R/1 Alexandre Maciel da Silva, Chefe da Divisão Administrativa; do Tenente-Coronel R/1 Marcelo de Assis Corrêa, Chefe da Divisão Técnica; e do Sr. Pedro Veiga Ferraz Pereira, Presidente da Associação de Amigos do Museu Aeroespacial (AMAERO).

De acordo com o Chefe da Divisão Técnica do MUSAL, a restauração desse importante acervo durou quatro meses de atividades intensas, tendo sido empregada uma força-tarefa composta por mais de 20 profissionais, entre mecânicos e especialistas em estrutura, pintura e entelagem. O detalhamento do trabalho pode ser constatado não somente na grande mão de obra utilizada, mas nos diversos materiais usados como, por exemplo, os 24 galões de tinta — nas cores verde, cinza, preto e alumínio — para devolver à aeronave o padrão visual que ostentava em seus dias de glória.

Durante a solenidade, o Brigadeiro Sampaio fez questão de valorizar o esforço da equipe técnica, ressaltando que o empenho e o profissionalismo demonstrados na restauração foram fundamentais para o sucesso do projeto. O Diretor destacou ainda que a presença do Coronel Spina atribuiu um valor especial ao evento, permitindo que a história fosse contada por quem vivenciou a operação da aeronave.

O avião Douglas A-26B “Invader” é um bimotor projetado para três tripulantes, concebido para missões de bombardeio e ataque ao solo. O primeiro voo ocorreu em 1942, ainda como protótipo XA-26, e o modelo se consolidou como um dos principais bombardeiros bimotores norte-americanos na Segunda Guerra Mundial, reconhecido por robustez e desempenho. Uma aeronave que tinha um grande poder de fogo, levando em seu arsenal seis metralhadoras, foguetes sob as asas e até 3.600kg de bombas.

No Brasil, a FAB incorporou os primeiros A-26 em 1957. Até 1975, o país tornou-se um dos maiores operadores do modelo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da França, conforme foi lembrado durante a cerimônia. O exemplar preservado pelo MUSAL voou com a matrícula FAB 5159, permanecendo em serviço até a desativação em 1975 e, em maio de 1976, chegou voando ao Museu, onde passou a integrar o acervo histórico.
O Coronel Benício Angelo Spina relembrou sua trajetória na FAB e a experiência operacional com aeronaves de ataque da época. Nascido em 31 de agosto de 1940, o Cel Spina ingressou na carreira ainda jovem, passou por formações e Unidades Operacionais, acumulando cerca de 5.000 horas de voo em diferentes modelos e recebeu 31 elogios individuais, além de condecorações militares. Para o Museu, a participação de veteranos ajuda a contextualizar o A-26 não apenas como peça estática, mas como parte de uma história viva.

Com a conclusão deste projeto de restauração, o Douglas A-26B 'Invader' retoma seu lugar de destaque no MUSAL, consolidando-se não apenas como peça museológica, mas como testemunho da evolução tecnológica e operacional da aviação militar brasileira. Este resultado reitera a importância de parcerias estratégicas, a exemplo da AMAERO, cujo apoio institucional em iniciativas de preservação e fomento à cultura fortalece a missão do Museu. O sucesso na recuperação do 'Invader' evidencia que a salvaguarda do patrimônio histórico é fruto da cooperação institucional, assegurando que o legado da Força Aérea Brasileira permaneça vivo e acessível às futuras gerações.
ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
FABRICANTE: The Douglas AircraftCompany, Inc. – Estados Unidos da América.
DESIGNAÇÃO MILITAR: A-26B e B-26B.
MOTOR: 2 Pratt& Whitney R-2800-79 de 2.000 h.p., radial de 18 cilindros.
PESO VAZIO: 10.143 kg
COMPRIMENTO: 15,47 m
ENVERGADURA: 21,35 m
ALTURA: 5,64 m
VELOCIDADE MÁXIMA: 552 km/h
ALCANCE: 5.150 km
ARMAMENTO: 6 metralhadoras Browning .50” no nariz, 8 foguetes sob as asas e até 3.629 kg de bombas nos “bomb-bays”.
Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)
Revisão: CelAv R/1 SARANDI Oliveira da Silva
Fotos: ACS MUSAL
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