Com entrada gratuita e uma programação diversificada voltada à valorização da infância, da cultura e da memória nacional, o Museu Aeroespacial (MUSAL) recebeu mais de 175 mil visitantes, nos dias 19 e 20 de julho de 2025, durante as comemorações pelos 152 anos de nascimento de Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação. Este evento grandioso mostra mais uma vez o compromisso do MUSAL com a democratização do acesso à cultura, à educação e ao Patrimônio Histórico-Aeronáutico Brasileiro.
Entre as inúmeras atrações oferecidas ao público,ao longo dos dois dias, as atividades culturais, realizadas no auditório do prédio principal, tiveram destaque especial, graças a sua abordagem inclusiva e educativa. Um dos momentos mais emocionantes foi a “Contação de Histórias”, que encantou crianças e adultos com narrativas sensíveis e inspiradoras, abordando temas como identidade, diversidade, afetividade e os feitos de Santos Dumont na história da aviação mundial.

A escritora Beatriz da Cruz Ribeiro apresentou a obra “Homem Voa!”, uma adaptação lúdica sobre a vida e os feitos do Pai da Aviação. "Contar histórias é, pra mim, a parte mais especial do meu trabalho. É nesse momento que percebemos o impacto real da literatura. Quando vejo o brilho nos olhos das crianças, sei que consegui tocar o coração delas. Isso não tem preço. E hoje foi ainda mais especial, porque sou fã de Santos Dumont. Ele foi um homem extraordinário, um brasileiro brilhante que inspira até hoje", declarou a autora.
Beatriz também destacou o papel transformador da literatura e da oralidade: "A literatura e a contação de histórias são ferramentas poderosas de transformação. Por meio delas, estimulamos: a curiosidade, o pensamento crítico, a empatia e, principalmente, fortalecemos a identidade cultural das crianças. Que possamos seguir incentivando essas ações, unindo educação, história e afeto."
Além da trajetória de Santos Dumont, outras narrações enriqueceram a programação com sensibilidade e profundidade. A escritora Shirlei Machado apresentou a história “Nia, a menina dos afetos”, que celebra a ancestralidade, os laços afetivos e a valorização da identidade negra.
Ao descrever sua obra, Shirlei explicou: “’Nia, a menina dos afetos’ é a história de uma menina preta, de olhos atentos e coração sensível, que enfrenta o luto com a perda de sua professora. No meio dessa mudança, chega uma nova educadora: uma mulher preta, empoderada, de turbante, saia rodada e muitas histórias para contar. Ela transforma a sala de aula em um espaço de valorização da ancestralidade afro-indígena. Por meio da figura do baobá, símbolo de sabedoria e resistência, leva às crianças uma vivência afetiva, cultural e identitária, fortalecendo os laços com a história do povo negro.”
Shirlei também destacou a importância da oralidade como ferramenta educativa e afetiva: “A contação de histórias é uma ponte para o encantamento, a criatividade e o afeto. Quando uma criança ouve uma história, ela acessa um mundo imaginário que alimenta o amor pela leitura, a curiosidade e o prazer de aprender. Ter um contador de histórias em um evento como este, que celebra a cultura, a memória e a identidade de um povo, dentro de um museu da Aeronáutica, um espaço que já convida a sonhar e a ‘voar’, é uma oportunidade única de ampliar o repertório das crianças e oferecer uma experiência rica e transformadora.”
Já a escritora Liliane Mesquita emocionou o público com a história “Qual é a sua forma?”, inspirada em seu próprio filho, que é autista. A narrativa aborda, com sensibilidade, o acolhimento das diferenças e reforça a importância da inclusão e do respeito à diversidade desde a infância. “Cada pessoa tem seu valor e sua forma de ser. É importante reforçar que todos somos especiais do nosso jeito. E também é essencial que as crianças típicas aprendam desde cedo a respeitar, acolher e valorizar quem é diferente”, afirmou Liliane.
Durante sua participação, a autora destacou a potência educativa da literatura e o papel transformador da contação de histórias: “É fundamental investir na literatura e na imaginação das crianças. A contação de histórias vai além do entretenimento, ela permite abordar temas importantes, como o autismo, de maneira leve e acessível.” Liliane também elogiou a criação do Espaço Azul, ambiente projetado especialmente para acolher crianças e jovens neuroatípicos. “Fiquei muito feliz com o Espaço Azul. Meu filho é autista, então sei, por experiência, o quanto iniciativas como essa fazem diferença”, ressaltou.
Ela concluiu destacando o impacto das ações em família: “Esses momentos promovem empatia, afeto e também estimulam a leitura, a escrita e a criatividade. E o mais bonito é ver pais e filhos juntos, se abraçando, partilhando. Quem sabe, depois do evento, eles não continuam lendo juntos em casa? É uma semente plantada. Que venham muitos outros eventos como este, unindo museu e literatura!”
Um dos visitantes presentes, José Luiz, militar reformado da Marinha, elogiou a proposta educativa e a importância de tirar as crianças da rotina digital. “Hoje, infelizmente, muitas crianças passam muito tempo no celular, em casa, no sofá. Atividades como essa despertam o interesse por algo mais educativo. Falei para a minha neta: ‘Presta atenção, porque quando voltar das férias, você vai poder contar na escola, onde esteve, o que viu, quem foi Santos Dumont, os aviões voando’. Isso tem muito valor. Pra mim, que venho da caserna, é emocionante estar num espaço que representa a história militar do Brasil — Exército, Marinha, Aeronáutica.”
Aldilene de Souza, dona de casa, também valorizou a oportunidade de lazer cultural com a família: “Achei tudo maravilhoso. Estar aqui, interagir com outras famílias, trazer minha neta para conhecer esse espaço é muito especial. Foi a primeira vez dela no museu, e aproveitamos para ensinar sobre Santos Dumont. Eventos assim deveriam acontecer sempre. É cultura! É aprendizado! É gratuito e acessível para todos.”
Já a pequena Liz de Souza Andrade, de 5 anos, mesmo tímida nas palavras, demonstrou grande entusiasmo ao participar do momento de interatividade no palco do auditório. Fantasiada como Santos Dumont, ela auxiliou uma das escritoras durante a contação de histórias, vivenciando de forma lúdica o universo do inventor. A experiência despertou a curiosidade e o encantamento da criança, que se envolveu na atividade com muita alegria.

As três autoras confirmaram o desejo de retornar em futuras edições do evento. “Adorei participar e volto sempre que for convidada. Compartilhar literatura, especialmente a de referência negra, nesse espaço múltiplo, diverso e acolhedor, é um privilégio. A troca que acontece aqui é mágica”, afirmou Shirlei Machado. Liliane Mesquita também destacou a experiência positiva: “Foi muito bom estar aqui, nesse espaço tão acolhedor, com tantas famílias e crianças incríveis. Pode contar comigo!”. Já Beatriz da Cruz Ribeiro reforçou que sua participação teve um significado especial por ser dedicada ao homenageado do evento. “O Museu Aeroespacial é uma vitrine única, uma casa que celebra esse grande brasileiro e nos permite compartilhar conhecimento de forma lúdica, afetiva e educativa. Sou muito grata por cada oportunidade de estar aqui.”
Para encerrar, Shirlei Machado deixou uma mensagem que resume o espírito do evento: “A literatura é vida. É, muitas vezes, o primeiro contato da criança com a arte. Por isso, precisamos oferecer livros desde cedo, estimular a leitura, levar histórias às escolas, aos museus, às praças. O livro alimenta o conhecimento e a imaginação. E é disso que o mundo precisa: de afeto, carinho, amor e literatura.” Liliane Mesquita reforçou esse sentimento, destacando o impacto social e cultural da iniciativa: “Eventos como este são transformadores. Que a gente siga incentivando a leitura, o respeito às diferenças e o fortalecimento dos laços familiares. A literatura tem esse poder.”
Complementando a programação, o Cine MUSAL exibiu uma seleção de curtas-metragens históricos, promovendo uma imersão audiovisual na trajetória da aviação nacional. Entre os títulos apresentados estiveram: “Do Sonho aos Ares”, “1º GAVCA – FAB na Guerra”, “Essa é a Nossa FAB”, “O Homem que Sabia Voar” e o musical “Dumont, Dumont”.
Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)
Revisão: Cel Av R/1 SARANDI Oliveira da Silva
Fotos: Assessoria de Comunicação Social do Museu Aeroespacial
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