Mais de 175 mil pessoas participaram das celebrações pelos 152 anos de nascimento de Alberto Santos Dumont. O evento, com foco na inclusão e educação, destacou-se pelas atividades promovidas no Espaço Azul, dedicado ao público neuroatípico, e no Espaço SESC, com sua programação socioeducativa para crianças e famílias.

Com foco na inclusão, no acolhimento e entretenimento das famílias, nos dias 19 e 20 de julho de 2025, o Museu Aeroespacial (MUSAL) promoveu diversas ações inclusivas, educativas e de acessibilidade para todas as idades. Os destaques foram o Espaço Azul, ambiente especialmente projetado para acolher crianças e jovens neuroatípicos, e o Espaço SESC, voltado a atividades socioeducativas e lúdicas para o público infantil e familiar.
Sob a supervisão de profissionais especializados, o Espaço Azul ofereceu oficinas psicomotoras, atividades sensoriais e suporte individualizado, onde foram atendidas 852 pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neurodivergentes. Entre as atividades desenvolvidas estavam pintura, colagem, contação de histórias, brinquedoteca, oficina de acomodação sensorial (com estímulos direcionados aos sentidos), jogos matemáticos e interação com animal terapêutico, proporcionando uma experiência lúdica, segura e acolhedora. A estrutura do Espaço Azul também contou com um lounge externo e exclusivo para o público PCD, com acessibilidade e vista privilegiada para as atrações aéreas.

A iniciativa é fruto da parceria entre o Museu Aeroespacial, o Serviço Social dos Afonsos (SESO-AF), o Hospital Central da Aeronáutica (HCA), o Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG), o Hospital de Aeronáutica de Afonsos (HAAF), a Universidade da Força Aérea (UNIFA), o Graduado-Master da Guarnição de Aeronáutica dos Afonsos (GUARNAE-AF), o Instituto Oceano Azul, a Mar Editora e o Instituto Municipal Helena Antipoff, vinculado à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, por meio do seu Setor de Educação Especial.
A Suboficial Renata Cristina Espíndola Garcia Moreno, recentemente nomeada Graduada-Master da GUARNAE-AF, destacou a importância do Espaço Azul como símbolo da conexão entre o meio militar e a Sociedade Civil, especialmente no acolhimento ao público neuroatípico. “Acho que é um tratamento perfeito, porque qual é o nosso objetivo? Trabalhar para a sociedade. Nós contribuímos para a inclusão e mostramos o lado sensível do militarismo”, afirmou. Mãe de uma criança com TEA nível 1, a Suboficial Renata reforçou o caráter voluntário do projeto e o envolvimento de militares de diferentes setores da Guarnição. Segundo ela, todos os Graduados-Master da área Rio foram mobilizados para apoiar o Espaço Azul, gerando propostas para expandir a iniciativa a outras Organizações Militares. “Quero que o mundo conheça esse ‘espacinho’ aqui, que é gigantesco”, declarou.

Já a Segundo-Tenente Jacqueline de Paula Lima, representante do Serviço Social da Guarnição dos Afonsos (SESO-AF), relatou o papel histórico e estratégico na criação do Espaço Azul. Segundo ela, a proposta nasceu da atuação junto a pais de crianças no espectro autista, o que motivou a criação de um espaço voltado ao acolhimento e à orientação dessas famílias. “Desde o início, abraçamos o Espaço Azul como uma extensão do nosso trabalho, oferecendo apoio, informação e suporte jurídico, com foco na garantia de direitos”, explicou. A Tenente Jacqueline também destacou a evolução do projeto: “Recebemos muitos feedbacks positivos das famílias. É um espaço pensado com sensibilidade, que acolhe não apenas as crianças e adolescentes, mas também os pais, dentro de uma perspectiva de direitos e cidadania.”
A escritora Liliane Mesquita, que emocionou o público com a contação de histórias “Qual é a sua forma?”, inspirada em seu filho autista, celebrou a iniciativa do MUSAL: “Fiquei muito feliz com o Espaço Azul. Sei, por experiência, o quanto esse tipo de acolhimento faz diferença”. Durante sua apresentação para o público em geral, Liliane destacou a importância da literatura infantil como ferramenta de inclusão. “Vai além do entretenimento. É uma forma de ensinar sobre empatia, respeito e diversidade. E o mais bonito é ver as famílias juntas, lendo e partilhando”, afirmou.

A proposta de inclusão também contou com a participação voluntária da intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) Juliana Martins, carinhosamente conhecida como “Julibrasss”, que realizou tradução simultânea para o público surdo presente. Durante o evento, a intérprete acompanhou mediações conduzidas por educadores do museu, traduzindo conteúdos das salas temáticas “Primórdios da Aviação”, “Santos Dumont”, dentre outras salas expositivas. A ação garantiu acessibilidade linguística, além de ampliar a experiência cultural dos visitantes surdos, reforçando o compromisso do MUSAL com a promoção de uma vivência museal inclusiva, sensível e educativa.

A programação educativa e recreativa foi significativamente ampliada por meio da parceria com o SESC-RJ (Serviço Social do Comércio do Rio de Janeiro), instituição reconhecida por sua atuação em projetos de inclusão social, formação cidadã e valorização cultural. No evento, o Espaço SESC ofereceu uma ampla gama de atividades voltadas ao público infantil e familiar, promovendo experiências interativas, que integraram educação, lazer e conscientização.

Crianças, adolescentes e adultos participaram de oficinas práticas como a Lab Maker – A Ciência de Construir Mini Jatinhos, com construção de miniaturas utilizando palitos de picolé, e a Oficina de Brinquedos com Palitos de Picolé, voltada à criação de aviões e helicópteros artesanais. Outras ações criativas incluíram a confecção de macramês inspirados em Santos Dumont, incentivando o trabalho manual e a paciência criativa.
A Arena de Video Game, com simuladores de voo e jogos aéreos, e os Jogos Gigantes, como Twister e Cara a Cara, proporcionaram diversão e interatividade. Para as crianças menores, o Espaço Kids Play, destinado à faixa etária de 1 a 6 anos, ofereceu brinquedos seguros e atividades sensoriais conduzidas por monitores especializados. A recreação incluiu ainda mini ‘futmesa’, pingue-pongue adaptado, brinquedoteca, jogos de tabuleiro infantis e oficinas de colagem, pintura, atividades psicomotoras e montagem com blocos de Lego.
Entre as atrações de maior impacto, destacaram-se as apresentações culturais, como danças populares e flash mobs, além das experiências em realidade virtual e da Mostra Interativa “Vivendo o Universo da Robótica”, que encantou o público com demonstrações acessíveis de tecnologia e ciência.
A Biblioteca Itinerante promoveu empréstimos de livros, contação de histórias e rodas de leitura em um ambiente acolhedor com pufes e tapetes, incentivando o hábito da leitura desde a infância. Campanhas educativas, como a “Casa Antiquedas”, simularam um lar adaptado para prevenção de acidentes com idosos, enquanto esquetes teatrais e oficinas inspiradas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) abordaram temas de cidadania e direitos das crianças com linguagem lúdica.
A campanha “A Língua como Ela É” valorizou a diversidade cultural com jogos de palavras e imagens em espanhol, promovendo a integração linguística. Outras ações ofereceram orientação em saúde, como a prevenção de doenças respiratórias, utilizando um pulmão inflável como recurso visual para facilitar a compreensão do público.
Entre as novidades voltadas à inclusão, destacaram-se as oficinas de orientação odontológica para crianças neuroatípicas, que abordaram a higiene bucal de forma lúdica, com dicas para cuidadores e responsáveis sobre visitas ao dentista. Também merecem destaque as atividades sensoriais, que exploraram diferentes texturas, cores e sons, proporcionando experiências interativas, e a intervenção com bolhas de sabão gigantes, que encantaram o público e promoveram leveza e interação ao ar livre.
A satisfação do público com as iniciativas de inclusão e educação foi notável nos depoimentos, refletindo o impacto positivo do evento. Visitantes de diversas idades e localidades expressaram sua satisfação. Leila Conceição, de 60 anos, vinda de Mangaratiba, elogiou: “O evento está maravilhoso, parabéns a todos!”. Já Letícia Sandrão, de 15 anos, que retornou com seu grupo escolar, destacou: “A gente gostou tanto da edição passada que decidiu voltar. Acho incrível todo o espaço e como está tudo decorado.” A jovem Yasmin Vitória, de 19 anos, ressaltou o aprendizado: “É muito bom ter esse tipo de aprendizado.”

Já para o público infantojuvenil, Isabele Souza, de 12 anos, em sua primeira visita ao MUSAL, compartilhou: “Nunca tinha vindo aqui. Estou achando o lugar muito maneiro, estou me divertindo bastante.” E Miguel Arcanjo, de 9 anos, completou: “Estou achando tudo muito legal! Estou aprendendo coisas que eu não sabia antes.” Esses testemunhos reforçam o sucesso das ações em proporcionar uma experiência enriquecedora e acessível a todos.
A edição de 2025 reafirmou o compromisso do Museu Aeroespacial com a inclusão, a educação e o respeito às diferenças, destacando o papel social das Forças Armadas na promoção da cidadania.
Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)
Revisão: Cel Av R/1 SARANDI Oliveira da Silva
Fotos: Assessoria de Comunicação Social do Museu Aeroespacial
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