
Em comemoração aos 152 anos de nascimento de Alberto Santos Dumont, Pai da Aviação, o Museu Aeroespacial (MUSAL), situado no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, promoveu um grande evento gratuito, nos dias 19 e 20 de julho de 2025.
Voltada à valorização da história, da cultura e da tecnologia aeronáutica, a programação trouxe uma novidade especial para entusiastas da aviação e para o público em geral: a reintegração da aeronave Consolidated PBY-5A Catalina (FAB 6527) à exposição permanente do museu, após um longo e minucioso processo de restauração.
O exemplar FAB 6527 foi tombado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2021, em reconhecimento à sua relevância histórica, tecnológica e simbólica tanto na aviação brasileira quanto mundial. O tombamento é um procedimento legal que visa proteger bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental ou afetivo, impedindo sua destruição ou descaracterização.
O retorno do Catalina representa um marco para a preservação da memória aeronáutica nacional, viabilizado pela equipe da Divisão Técnica do MUSAL com o essencial apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Associação dos Amigos do Museu Aeroespacial (AMAERO) e de recursos provenientes de emenda parlamentar. A aeronave passou por um criterioso processo de restauração e conservação, que assegurou a integridade estrutural e visual do hidroavião mais importantes da história da aviação.

Por se tratar de um bem tombado, todas as intervenções exigiram autorização do IPHAN, garantindo o rigor técnico e a preservação da originalidade da aeronave. “Cada peça restaurada, cada detalhe recuperado, é exemplo do nosso compromisso em preservar a memória aeronáutica brasileira”, destacou a Tenente-Coronel Vilma Souza.
Segundo a Tenente-Coronel QFO MUG Vilma Souza dos Santos, Chefe da Subdivisão de Patrimônio Cultural do MUSAL: “Testemunhamos a conclusão do projeto de restauração da aeronave Catalina, um marco significativo para o Museu Aeroespacial e para a história da aviação brasileira. Este evento transcende a simples recuperação de uma máquina voadora; representa a preservação de um legado, de feitos heróicos e de uma memória coletiva que não pode ser esquecida.”
Conhecido carinhosamente como “Pata-Choca”, devido à sua aparência peculiar ao pousar na água com os flutuadores, o “Catalina” é símbolo da integração nacional. O modelo desempenhou papel fundamental em missões de patrulhamento marítimo, busca e salvamento (SAR) e, notadamente, na conexão de regiões remotas por meio do Correio Aéreo Nacional (CAN), especialmente na Amazônia. Sua capacidade de operar em locais sem aeroportos, pousando em rios, foi essencial para levar assistência e presença do Estado a comunidades ribeirinhas e pelotões do Exército em áreas isoladas.

A reintegração da aeronave ao circuito expositivo do MUSAL enriquece a experiência dos visitantes, que agora podem contemplar de perto os resultados do trabalho técnico de recuperação e refletir sobre a importância da preservação de bens históricos ligados à aviação militar.
Com público superior a 175 mil visitantes durante o fim de semana, o evento em comemoração ao aniversário de Santos Dumont, promovido pela Força Aérea Brasileira (FAB), apresentou uma programação diversificada que uniu cultura, ciência, tecnologia e emoção. Além da reestreia do Catalina, o público acompanhou demonstrações aéreas acrobáticas, exibições operacionais e atividades socioeducativas.
Entre as atrações, pode-se destacar o giro (ativação) do motor e o taxiamento do avião P-47 Thunderbolt, uma das aeronaves mais emblemáticas da Segunda Guerra Mundial. A atividade consistiu na partida do motor original e na movimentação controlada da aeronave em solo, permitindo ao público observar e ouvir de perto o funcionamento do autêntico caça histórico. O sucesso da demonstração contou com o auxílio fundamental do piloto e especialista em aeronaves, Rafael Daré Aguirre, Presidente da Revoar - Associação de Restauro Aeronáutico, que contribuiu na manutenção, acionamento do motor e taxiamento do Thunderbolt.

As presenças do Consolidated PBY-5A Catalina e do P-47 Thunderbolt no acervo do Museu Aeroespacial representam não apenas um tributo ao passado, mas também um instrumento de educação e inspiração. Suas histórias ilustram o avanço tecnológico da aviação e o compromisso contínuo da FAB com a valorização do patrimônio aeronáutico e com a difusão do conhecimento, a preservação da memória e o incentivo à cultura científica.
Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)
Revisão: Cel Av R/1 SARANDI Oliveira da Silva
Fotos: Assessoria de Comunicação Social do Museu Aeroespacial
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