
Na manhã desta quarta-feira (12 de junho), dia em que se comemora o Dia da Aviação de Transporte e do Correio Aéreo Nacional, o Museu Aeroespacial (MUSAL), localizado no Campo dos Afonsos (RJ), recebeu a visita do Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Aeronáutica; juntamente com o Major-Brigadeiro do Ar Rodrigo Fernandes Santos, Comandante do III COMAR; e do Major-Brigadeiro do Ar Max Cintra Moreira, Comandante da Guarnição dos Afonsos e da Universidade da Força Aérea (UNIFA). As autoridades foram recepcionadas pelo Diretor do MUSAL, Brigadeiro do Ar R/1 Mauricio Carvalho Sampaio, e pelos Oficias Superiores da Instituição.
Logo cedo o Comandante presidiu a cerimônia, realizada na Base Aérea dos Afonsos (BAAF), alusiva às comemorações ao 94º aniversário do Correio Aéreo Nacional (CAN) e ao Dia da Aviação de Transporte, onde três ícones históricos, que fazem parte do Acervo do Museu Aeroespacial, estiveram em destaque: avião Curtiss Fledgling K-263, utilizado na missão inaugural do Correio Aéreo Militar, em 1931; o robusto e o gigantesco C-130H Hércules; e o versátil C-95 Bandeirante camuflado.
O Curtiss Fledgling, pertencente ao acervo do MUSAL, simboliza o início das operações do Correio Aéreo Militar (CAM). Foi a bordo dessa aeronave que os então Tenentes Nelson Freire Lavenère Wanderley e Casimiro Montenegro Filho transportaram a primeira mala postal aérea do país, decolando do Campo dos Afonsos com destino à São Paulo.
O CAM, depois renomeado como Correio Aéreo Nacional (CAN), teve papel decisivo na integração do território brasileiro em um período em que a comunicação entre as regiões era limitada e desigual. O historiador Suboficial Luiz Cláudio Campos Velasquez, do efetivo do MUSAL, relembra os desafios e os motivos que levaram à criação do serviço: “O Correio Aéreo Nacional surgiu da necessidade de promover a união do nosso país. O Brasil, por sua extensão continental, enfrentava dificuldades de integração entre as regiões, e a distância representava um grande transtorno à comunicação e à logística nacional”, explicou.
Já o C-130H Hércules, uma das maiores aeronaves operada pela Força Aérea Brasileira, representa a força e a versatilidade da Aviação de Transporte em missões complexas. Empregado na FAB, desde a década de 1960 até junho de 2024, quando pousou pela última vezna Base Aérea dos Afonsos e foi incorporado ao acervo do MUSAL, o Hércules foi sinônimo de capacidade logística, participando de missões humanitárias, resgates em regiões inóspitas, transporte de tropas e auxílio em desastres naturais.
Por sua vez, o C-95 Bandeirante camuflado, desenvolvido no Brasil, consolidou-se como um símbolo da indústria aeronáutica nacional e da aviação militar leve. Utilizado em diversas tarefas de transporte regional, ligação e apoio logístico, o Bandeirante também atua na integração de áreas remotas, reafirmando a presença da FAB em todo o território nacional.
Durante a solenidade, foi lida a Ordem do Dia alusiva à data, assinada pelo Comandante de Preparo, Tenente-Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto. O texto reforçou a relevância da Aviação de Transporte, que cumpre missões como o combate a incêndios florestais, ações humanitárias, transporte de vacinas e de órgãos para transplantes, atividades que reafirmam o compromisso da FAB com a vida, a segurança e a integração do Brasil.
O evento também serviu para valorizar a memória do Campo dos Afonsos, berço da Escola de Aeronáutica, instituição precursora da atual Academia da Força Aérea (AFA). Hoje sede do MUSAL, o local preserva a trajetória dos pioneiros da Aviação Militar Brasileira.
“Tudo começou em 1931, aqui mesmo, no Campo dos Afonsos. Podemos dizer que os ‘Afonsos’ foi o verdadeiro ponto de partida da Aviação Militar Brasileira. Aqui passou todo mundo. Respiramos história em cada hangar, em cada aeronave, em cada detalhe. O MUSAL é um verdadeiro embarque na história”, concluiu o historiador Luiz Cláudio Velasquez.

O Tenente-Brigadeiro Damasceno fez questão de realizar uma breve visita ao MUSAL para verificar algumas das atualizações e reformas que estão sendo promovidas para melhorias das instalações e de suas exposições. O Comandante teceu vários comentários elogiosos pelo alto padrão de tudo que pode apreciar neste contato de hoje: “Parabéns MUSAL por sua sempre excelência na preservação e divulgação da nossa bela História!”
Texto: Ten QOCON JOR Jônatas Ribeiro BARBOSA (JP35128 RJ)
Revisão: Cel Av R/1 SARANDI Oliveira da Silva
Fotos: Breno Fazoli
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