O Dia Internacional da Mulher representa a luta por igualdade e reconhecimento em diversos setores da sociedade, inclusive no âmbito militar. A data, celebrada em 8 de março, remonta a 1908, quando trabalhadoras em Nova Iorque organizaram uma manifestação para reivindicar melhores condições de trabalho, direitos políticos e igualdade salarial. Anos depois, em 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.
Esse marco também reflete a trajetória das mulheres na Força Aérea Brasileira (FAB), onde a participação feminina começou ainda na Segunda Guerra Mundial, com a integração de seis enfermeiras aos quadros da Aeronáutica. Em 1982, a instituição deu um passo importante ao passar a incorporar mulheres regularmente em seu efetivo.
Atualmente, a presença feminina na FAB é uma realidade consolidada, especialmente nas unidades do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), onde desempenham funções estratégicas nas áreas administrativa, técnica e operacional.
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) não apenas tem aberto as portas, mas também incentivado as militares a ocupar posições de destaque. Atualmente, metade dos controladores de tráfego aéreo, por exemplo, são mulheres, um dado que evidencia a competência e dedicação das profissionais.
A Suboficial Helaine Baptista do Nascimento faz parte desse avanço histórico. Integrante da primeira turma de controladoras de tráfego aéreo da FAB, foi também a primeira a se capacitar para atuar no Controle de Operações Aéreas Militares. O caminho, no entanto, exigiu superação. “Havia uma mistura de expectativas, resistência e até certa desconfiança. No entanto, isso apenas nos motivou ainda mais a nos dedicarmos, a buscar conhecimento técnico com foco e disciplina e a provar nossa capacidade por meio do nosso desempenho”, relembra.
Trabalhar em um ambiente tradicionalmente masculino também trouxe desafios, como a necessidade de conquistar respeito e credibilidade. “Foi preciso equilibrar a adaptação ao ambiente militar com o desenvolvimento técnico na profissão, o que exigiu ainda mais dedicação e resiliência”, explica a Suboficial.
Letícia Moreira Pinheiro escolheu a especialidade de Estrutura e Pintura de Aeronaves quando ingressou na FAB aos 19 anos. Dois anos depois, já no Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), foi a primeira mulher a atuar na área de manutenção de aeronaves. “Fui muito bem recebida pelos mais antigos. Eles me ensinaram muito sobre a área, e fui crescendo não só profissionalmente, mas também como pessoa.” Atualmente, a Segundo-Sargento é encarregada dos setores de estrutura, pintura e lavagem da unidade, e coordena o planejamento de prevenção, controle e combate à corrosão de aeronaves.
“Acho muito gratificante ser uma mulher militar, principalmente por eu ser da manutenção, uma área em que ainda somos minoria. Nossa capacidade e responsabilidade são demonstradas e reconhecidas por nossos pares”, destaca.
Aline Pedroso da Costa ingressou na Escola de Especialistas da Aeronáutica da FAB em 2013 para cursar a especialidade de Básico em Eletricidade e Instrumentos. Hoje, é Segundo-Sargento Técnica da Seção de Elétrica do GEIV. “Minha rotina é realizar manutenções programadas e não programadas das aeronaves do GEIV. A abdicação é grande e, nessa área, somos minoria, o que é pioneiro e, ao mesmo tempo, desafiador”, relata.
O empenho e, sobretudo, a satisfação, no entanto, são consenso entre as militares. “Ser militar não é apenas vestir uma farda, mas estar disposta a ter um estilo de vida compatível com a profissão, com postura, comprometimento, dedicação e disciplina. É gratificante fazer parte da engrenagem que faz girar a FAB e contribuir com a proteção do nosso país”, afirma a Sargento Letícia Moreira.
O caminho traçado por pioneiras abriu espaço para novas gerações. E, cada vez mais, as mulheres assumem posições de destaque no DECEA, consolidando sua presença na aviação militar brasileira. Para as futuras militares, a Suboficial Helaine deixa um conselho. “Mantenham-se determinadas e sempre preparadas. A carreira militar exige disciplina, esforço e resiliência, mas é uma oportunidade incrível de crescimento pessoal e profissional. Busquem constantemente o aprimoramento, confiem em suas capacidades e nunca permitam que estereótipos limitem suas ambições.”
https://youtu.be/n96Q0q-6T00?si=EvyuoRG4uIKERZBv
Assessoria de Comunicação Social do DECEA
Texto: Daniel Marinho
Arte: Aline Prete
Vídeo: Telma Penteado e Marcelo Alves
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