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Página inicial > Últimas Notícias > SERIPA V recebe aviadora para investigar acidentes aéreos
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A Capitã Aviadora Camila Bolzan é a primeira mulher investigadora de acidentes da aviação civil brasileira na área do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Ela  ingressou na primeira turma feminina da Academia da Força Aérea, em Pirassununga-SP, em 2003. Natural de Porto Alegre (RS), filha única, determinada e persistente, escolheu a carreira militar  inspirada nas histórias que ouvia sobre o avô, homem íntegro e correto como profissional das armas no Exército Brasileiro, nas décadas de 1940 e 1950. Desde agosto deste ano, integra a equipe de investigadores do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA V), localizado em Canoas-RS, e ocupa o cargo de Gerente de Risco de Fauna. Conversamos com a Capitã Camila sobre sua atividade e as expectativas nessa nova etapa da carreira.

SERIPA V - Em que momento você decidiu que seria piloto militar?
A carreira militar sempre esteve presente na minha vida. Desde criança ouvia meu pai contar histórias sobre meu avô, que apesar de eu não ter conhecido, é uma imagem bastante presente. Aos 11 anos, fui estudar no Colégio Militar e gostei do sistema, da disciplina, tendo me adaptado muito bem. Quando surgiu a oportunidade para fazer o concurso da AFA, recebi o incentivo da família, mas a certeza da escolha só aconteceu quando fiz o primeiro voo. O fascínio pela aviação foi determinante na minha carreira.

SERIPA V - Qual a sua experiência na Força Aérea Brasileira?
Sou piloto de Transporte e já voei cerca de 1800 horas nas aeronaves C 95 Bandeirante e C 97 Brasília. Participei de missões de lançamento de carga, páraquedista e transporte aerologístico e aeroterrestre. Além da AFA, atuei no primeiro Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (1º/5º GAv ), na época sediado em Fortaleza-CE, e no Quinto Esquadrão de Transporte Aéreo (5º ETA), em Canoas (RS).

SERIPA V – Na sua concepção o que significa segurança de voo?
O voo é uma atividade de risco. Para o cumprimento da missão atuamos com esse risco calculado. A segurança de voo é um suporte que identifica o perigo e gerencia o risco que envolve o homem, o meio e a máquina . O acidente que desejamos evitar ocorre em uma cadeia de eventos. O fator contribuinte pode ser deflagrado bem antes da tragédia, ou seja, desde aquele rebocador que bateu a aeronave e silenciou, até uma falha não reportada durante um carregamento ou  abastecimento. A segurança de voo é uma cultura que precisa ser reforçada diariamente. Investigamos para prevenir futuros acidentes.

SERIPA V - Como você define a prevenção?
É um trabalho silencioso realizado em equipe, que abrange desde o mais simples profissional até o comandante da organização. Não conseguimos contabilizar quantos acidentes evitamos por meio de uma palestra, um seminário ou uma jornada de segurança de voo, mas temos a certeza de que influenciamos para a conscientização daqueles que voam e daqueles que fazem voar. A prevenção eficaz é aquela que provoca nas pessoas mudanças de atitudes e comportamentos. Para isso é necessário conhecer limites, seguir manuais de procedimentos e evitar o mau exemplo.

SERIPA V - Você se considera preparada para atuar como investigadora?
Sempre tive uma grande curiosidade para saber como e por que os acidentes acontecem. Hoje, na atividade de investigação observo alguns fatores que são repetitivos nos acidentes. Nosso trabalho de prevenção é essencial e cada vez mais deve ser intensificado. Sou credenciada pelo Cenipa e sinto-me preparada para atuar na equipe de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos do SERIPA V. Nesta tarefa, como em todas as demais, não importa se é homem ou mulher, o que conta é atuar de forma profissional. Para investigar é necessário separar o sentimento de piloto para focar no resultado.

SERIPA V - Estatísticas indicam que mais de 80% dos acidentes aéreos ocorrem por falhas humanas. Por que isso acontece?
As máquinas evoluíram, enquanto o ser humano ainda precisa de muito treinamento e senso de observação para a  tomada de decisão na cabine de uma aeronave ou na execução dos serviços de manutenção, por exemplo. Desafiar é característica da personalidade do piloto, porém é preciso respeitar os limites da máquina. Voar muito baixo, fazer acrobacias, com aeronaves que não estão adequadas para essa finalidade, são falhas que muitas vezes resultam em tragédias, com perdas irreparáveis. Além disso, a pressão do tempo, a distração, a ausência de comunicação e a carga de trabalho são alguns fatores que contribuem para evidenciar a falha humana. Por isso, é fundamental seguir o que está previsto nas normas de segurança de voo.

SERIPA V - Como você se sente sendo a primeira mulher aviadora a atuar na investigação de acidentes aeronáuticos da aviação civil brasileira?                                                                                                                                                                                                           Sinto-me bastante motivada para trabalhar no compromisso com a vida e considero um privilegio e um aprendizado inigualável. Meu objetivo é contribuir para aumentar a segurança de voo. Na minha especialidade realmente estou abrindo esse caminho, mas é importante lembrar que a presença feminina já faz parte do dia a dia da atividade militar. Além do voo, as mulheres estão em setores da Força Aérea Brasileira, como no planejamento, no apoio, na segurança, na manutenção e nos cargos de chefia e liderança.
 

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