Evento realizado com apoio do DECEA também contou com a presença da primeira aviadora do KC-390 Millennium
O Terceiro Comando Aéreo Regional (III COMAR), com o apoio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), celebrou o mês da mulher, nesta segunda-feira (17/03), com palestras das atletas olímpicas da Força Aérea Brasileira, no Complexo Santos Dumont, no Rio de Janeiro. As sargentos Viviane Lyra, da marcha atlética; Jade Barbosa e Flavia Saraiva, da ginástica artística, contaram um pouco de suas trajetórias na vida e no esporte. A capitão aviadora Jeciane Ribeiro de Lima Victório também compartilhou sua experiência como primeira mulher a pilotar o KC-390, a maior aeronave de transporte da FAB fabricada no Brasil.
O evento contou com a presença do Diretor-Geral do DECEA, Tenente-Brigadeiro do Ar Maurício Augusto Silveira de Medeiros; do Vice-diretor da Unidade, Major-brigadeiro do ar Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Junior e do Comandante do III COMAR, Major-Brigadeiro do Ar Rodrigo Fernandes Santos.
Durante café da manhã com o efetivo feminino, o Tenente-Brigadeiro Medeiros, agradeceu a presença das palestrantes e das demais militares. “A quantidade de mulheres que ingressam na FAB continua crescendo todos os anos. Em 2025, recrutamos as primeiras soldados e, em 2026, receberemos as primeiras militares no curso de Infantaria da Academia da Força Aérea, única área que ainda não contava com efetivo feminino. São importantes passos para a inclusão e a equidade na nossa Instituição”, afirmou.
O esporte na FAB
As atletas palestrantes são integrantes da Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA), por meio do Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR), que visa fortalecer a equipe militar brasileira em eventos de grande porte. O projeto possibilita que os atletas utilizem a estrutura das Forças Armadas para treinar e para realizar tratamentos médicos. Para muitos, é o primeiro incentivo e impulso da carreira.
A palestra foi aberta pela sargento Viviane Lyra, heptacampeã da marcha atlética e integrante da Comissão de Desportos da Aeronáutica (CDA). A competidora é recordista brasileira no esporte, campeã do Troféu Brasil de Atletismo e Sul-Americana em 2020. Também foi medalhista de ouro no Pan-Americano da Nicarágua, em 2023, e representante do Brasil nas Olimpíadas de 2024, em Paris.
“Quando eu era criança eu sonhava em ser militar e, quando estava na escola, eu me apaixonei pela marcha atlética. Sou muito feliz por ter conseguido unir esses dois sonhos. Há muito em comum nas carreiras de militar e de atleta, porque ambos exigem muita disciplina e compromisso. O ingresso na FAB mudou a minha vida, porque passei a ter recursos para me dedicar e me desenvolver no esporte”, contou.
Os desafios na ginástica
A sargento Jade Barbosa relatou alguns dos desafios de sua carreira, que começou aos nove anos de idade, quando perdeu precocemente sua mãe. Meio a tristeza e aos tratamentos de lesões, a atleta foi a primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha na disputa do individual geral em Campeonato Mundial, em 2007, e a primeira a ganhar medalhas em duas provas distintas em 2010. No ano passado, ela a e sargento Flavia Saraiva compuseram a equipe que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris.
“Eu fui para as Olímpiadas como uma das atletas mais velhas do esporte. Então eu pensei que aproveitaria aquele momento de uma forma mais madura, treinando o necessário e prestando apoio, principalmente emocional, para as mais jovens. Conquistar a medalha olímpica me trouxe a tranquilidade de ter construído uma carreira que me levou até aquele momento. Foi realmente muito gratificante essa vitória ao lado de profissionais tão talentosas”, declarou.
Sua companheira de equipe, a sargento Flavia Saraiva, contou sobre sua infância no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro. “Eu morava em uma região com muitos problemas de violência e o esporte me salvou. Ingressamos na primeira turma de mulheres ginásticas da FAB. O esporte me ensinou muito sobre disciplina e passei a acreditar que nada era impossível, mesmo com as lesões e as dores. Hoje tenho orgulho de ser medalhista olímpica e de representar o Brasil em competições de tão alto nível”, afirmou.
Mulheres na aviação
A Capitão Jeciane relatou para a plateia suas experiências com aviadora em missões como a Operação Covid-19; a Operação Taquari II, que apoiou o estado do Rio Grande do Sul; e a Operação Yanomami, que prestou assistência à população indígena da Região Norte.
“Quando cheguei à Base Aérea de Canoas, durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, no ano passado, eu pensei nunca ter visto nada parecido. Nessas situações, nós militares somos treinados para manter o equilíbrio e a resistência física para estar à disposição no caso de qualquer necessidade, seja ela logística ou operacional”, afirmou.
O comandante do III COMAR, Major-Brigadeiro Rodrigo, encerrou o evento com a entrega de homenagens às palestrantes. “Sei que esses poucos minutos de fala não são suficientes para contar a rica história de cada uma de vocês, mas tenho certeza que foi inspirador para cada militar que veio participar deste evento. Esperamos que o espírito de corpo, a dedicação, a resiliência e a disciplina de vocês sirvam de exemplo e se espelhem na vida militar”, declarou.
Assessoria de Comunicação Social e Cerimonial do III COMAR
Texto: Tenene Jornalista Fernanda Pereira
Fotos: S2 Bouzin
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