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Missão

Prover o apoio necessário às unidades aéreas e unidades de aeronáutica que nelas operem, permanente ou temporariamente, ou que nela estejam sediadas.

História

A história da Base Aérea de Recife nos remete ao ano de 1927, quando Paul Vachet, piloto-chefe da CGA (Compagnie Générale Aéropostale), desembarcou em Recife no dia 21 de julho daquele ano e escolheu o campo do Ibura, o qual, anos mais tarde, daria lugar a mais antiga Base da Força Aérea Brasileira.

Poucos anos mais tarde, o General Manoel Rabelo, comandante da 7° Região Militar, solicitou a então Diretoria da Aviação Militar que fosse estudado um local para abrigar o campo de pouso para aviação militar, na cidade do Recife. A escolha recaiu sobre o Campo do Ibura, onde a Aéropostale, já conhecia como Air France, vinha operando desde meados de 1927. O Governo do Estado de Pernambuco desapropriou os terrenos adjacentes ao Campo do Ibura e os cedeu ao Ministério da Guerra, com a finalidade de sediar o 6° Regimento de Aviação, criado pelo Decreto 22.591, de 29 de março de 1933.

Com a eclosão da 2° Guerra Mundial, em setembro de 1939, vários navios de guerra alemães deslocaram-se para o Atlântico-Sul, fazendo com que o Governo Brasileiro deslocassem 3 aviões Vought Corsair, lotados no 1° Regimento de Aviação, no Rio de Janeiro, para cumprirem, a partir de Recife, missões de patrulhamento ao longo do litoral nordestino.

Durante os primeiros anos da 2° Guerra Mundial, o governo brasileiro temia uma possível  invasão no Nordeste do Brasil, tendo em vista os sucessos dos exércitos alemão e italiano no Norte da África. Além disso, Dakar, o ponto mais próximo do Brasil na África, era controlada pelo governo francês de Vichy, colaboracionista do governo nazista.

Por autorização do Governo Federal, em meados de 1941, a empresa aérea Panair do Brasil, subsidiária da Pan American Airways, construiu, melhorou e aparelhou o aeródromo de Recife, para que fosse utilizado por aviões de grande porte. Tratava-se de uma solução política habilidosa e dissimulada, visto que o Brasil só entrou na Guerra oficialmente em 31 de agosto de 1942, ao instruir o Estado de Guerra pelo Decreto 10.358.

Naquele período, o primeiro contato da cidade com os americanos se deu em 11 de maio de 1941, portanto, antes dos EUA entrarem na guerra, quando o Contra-Almirante Jonas Howard Ingram chegou ao Recife com o propósito de adquirir óleo combustível e mantimentos para dois navios de sua força. Naquela ocasião, o Almirante, em patrulha neutra, havia elaborado um plano visando aquisição de gasolina de aviação em Recife e víveres na cidade de Salvador.

A partir de então, os contatos seriam mais frequentes o que fez surgir um sentimento de dúvida dos americanos no tocante à recepção pela Marinha Brasileira e, principalmente, pela população de Recife. Pensado nisso, em 28 de agosto de 1941, o Almirante Ingram solicitou ao então Cônsul americano no Recife para intermediar o contato com os oficiais brasileiros para tranquilizá-los sobre a presença americana na cidade, afinal de contas significaria mais dinheiro circulando e, consequentemente, o comércio mais fortalecido.

Por ocasião de um almoço oferecido pelo Prefeito de Recife, Antônio de Novais Filho, em outubro daquele ano, usando toda a diplomacia que lhe era nata, o Almirante Ingram falou aos presentes que apesar da sua missão ser estreitamente militar, ele tinha o dever de cultivar a amizade e a camaradagem entre americanos e brasileiros, visando o fortalecimento de ambas as nações e finalizou fazendo um brinde à saúde do Presidente Getúlio Vargas.

Com a entrada dos EUA na Guerra, o que se deu após os ataques a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941, a presença americana se intensificou em várias capitais do nordeste e sua presença foi “tolerada”, uma vez que o litoral brasileiro estaria, juntamente com as tropas brasileiras, mais protegido.

Antes do Estado de Guerra ser decretado contra os países do eixo em agosto de 1942, a cidade do Recife passou a viver, mesmo que moderadamente, um clima de guerra com as expansões do conflito mundial iniciadas em setembro de 1939.

A operação de submarinos dos países do eixo, ao longo da costa brasileira, serviu como propulsor imediato para entrada do Brasil no conflito. Em julho de 1942, as perdas brasileiras contavam com 13 navios afundados por torpedeamento com a morte de 597 pessoas, o que promoveu uma forte comoção nacional, obrigando o Governo a declarar guerra ao nazifacismo.

Tendo a Guerra como pano de fundo, foi criada a Base Aérea de Recife, BARF em 24 de julho de 1941, quando, em meio aos combates no Velho Continente, foi criado o Ministério da Aeronáutica, fruto da união da Aviação Militar e Naval, e que herdou bases cuja atuação estava voltada prioritariamente para a região Sul do país, assaz afastadas dos campos de batalha europeus.

Antes de entrar em estada de beligerância, o Brasil passava por sérios problemas de ordem pessoal econômico, o que se verificava claramente nas questões de infra-estrutura, visto que à época não havia sequer ligação do nordeste ao sul do País por rodovias. Com a entrada do Brasil na guerra, os problemas se avolumaram e com a cidade do Recife não foi diferente.

Consequentemente, na então provinciana cidade recifense, houve racionamento de combustível, o qual foi quase totalmente absorvido pelo esforço de guerra. O tráfego urbano caiu drasticamente, pois à população cabia o uso de uma cota de 90 litros mensais para os veículos particulares, tendo a situação agravada a 15 de julho de 1942, quando o governo brasileiro suspendeu o tráfego de todos os carros particulares e da grande maioria da frota oficial.

A imprensa local também sentiu os efeitos do estado de guerra: começou a faltar papel para impressão dos jornais, uma vez que a matéria prima era importada. O efeito principal disso tudo foi o aumento do preço dos exemplares, porém, não acarretou e, diminuição da tiragem, já que a população estava ávida pelas notícias do além mar.

Ainda em 1942, foi instituída na cidade do Recife racionamento de energia elétrica, ocasionando grandes transtornos à população, entretanto, serviu como fortalecimento das medidas de segurança através dos exercícios de blecaute. Ficou ao encargo do General João Baptista Mascarenhas de Morais a elaboração e consecução dos exercícios de defesa aérea da cidade. Especulava-se que aviões inimigos vindos da áfrica poderiam bombardear as capitais do nordeste, em virtude da proximidade do solo africano com a costa brasileira.

No decorrer da guerra, a população passou a conviver diuturnamente com as novidades trazidas pelos americanos como as bebidas em lata, os óculos da Ray-Ban e a Coca-Cola. Até mesmo o vestuário masculino tradicional de terno e gravata foi abandonado, dando lugar a vestimentas mais leves como bermudas coloridas e camisetas. O idioma inglês também passou a ser incorporado no linguajar cotidiano. Mesmo a elite recifense preferindo usar o idioma  francês em detrimento do idioma inglês, não raro, expressões como “my friend”, “yes”, “no”, “milk-shake” e “all right” já estavam fortemente assimiladas pela juventude local.

Dentre as bases aérea da FAB, destaca-se a BARF por ter sido criada após a criação da FAB, pois como dissemos anteriormente, os campos de aviação militar existentes pertenciam ao Exército Brasileiro.

Iniciando suas atividades em 23 de outubro do mesmo ano, a BARF desempenhou importante papel durante a Grande Guerra, abrigando inicialmente o 6º Regimento de Aviação – 6º Rav, o qual utilizou as aeronaves Vought V-65B Corsair, North-American NA-72, Douglas B-18 Bolo, Lockheed A-28A Hudson e Curtiss P-36A, a partir de 1942.

A partir de julho de 1944, a BARF sediou o 1º Grupo de Bombardeio Médio, equipado com o Lockheed-Vega PV-1 Ventura. As missões desempenhadas eram as de escolta a comboios, patrulha  anti-submarina e busca no litoral do Nordeste.

Com o final da guerra e posterior reorganização da FAB, o 6º Rav foi desativado e em seu lugar, a 24 de março de 1947, foi criado o 1º/6º Grupo de Aviação - 1º/6º GAv, não tendo, no  entanto, sido ativado.

Em junho de 1951, o Centro de Treinamento de Quadrimotores – responsável pela introdução em serviço do famoso Boeing B-17G, Fortaleza Voadora, foi transferido da Base Aérea do Galeão para a BARF. Em 15 de outubro de 1953, foi ativado o 1º/6º GAV “Carcará”, o qual herdou os B-17G do  extinto Centro e passou a desempenhar missões de busca e salvamento, reconhecimento fotográfico e, eventualmente, transporte aéreo. Em 20 de novembro de 1957, foi criado o 6º Grupo de Aviação, composto pelos seus 1º e 2º esquadrões. Este último já havia sido absorvido pelo 1º/6º GAv quando da desativação das aeronaves B-17G, em 1968. Para substituí-las, o 1º/6º GAv recebeu os Lockheed SC-130 Hércules sendo que atualmente opera as aeronaves Gates Learjet R-35A em missões de reconhecimento.

Na década de 60, a BARF sediou também a Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque 21 - ERA-21, equipada com os North-American T-6. Em 20 de julho de 1973, em substituição à ERA-21, foi ativado o 2º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque - 2º EMRA o qual, utilizando aeronaves de asa fixa - T-6, Neiva L-42 Regente e Neiva T-25A - e aeronaves de asa rotativa - Bell OH-4 e Bell UH-1H - por sua vez deu lugar, em 9 de setembro de 1980, ao 2º/8º GAV “Poti”, atualmente sediado na Base Aérea de Porto Velho, opera o moderno Mi-35 M.

Completando o conjunto de unidades aéreas nela sediadas, a BARF abriga também o 2º Esquadrão de Transporte Aéreo “Pastor” o qual, equipado com aeronaves EMBRAER C-95 B Bandeirante, C-97 Brasília e Cessna C-98 Caravan é responsável pelas missões de transporte aéreo no âmbito do II COMAR.

Contato

http://www.bant.intraer

 

 

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