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\.o./ Aviação e História \.o./                                          .

O voo do “Rio de Janeiro”, os primeiros passos da industria aeronáutica brasileira

SO Jefferson E. S. Machado*

Quem vê a Embraer hoje, e não conhece a História da Aviação, não imagina que já na década de 1910 o Brasil iniciava suas primeiras experiências na construção e montagem de aeroplanos. As duas primeiras foram a construção do “São Paulo” em 1910, pelo francês Demetre Sensaud de Lavaud, e em 1914 a fabricação do “Alvear”, pelo carioca J. D´Alvear. O Jornal “A Noite” de sábado 06 de março de 1920 anunciava em uma manchete que “A construção de aeroplanos no Brasil” já era uma realidade. Em seu subtítulo a materia afirmava que “Os aviadores nacionaes visitam o primeiro apparelho”, ou seja a montagem da aeronave batizada como “Rio de Janeiro”, que foi produzida pela empresa Lage & Irmão.

A publicação também chamava a atenção para a utilização de mão de obra e de material nacional, talvez com o objetivo de trazer certa autenticidade brasileira para tal iniciativa. O projeto foi realizado pelo engenheiro Pandiá Broconot, juntamente com o Capitão Aviador Francês Etienne Lafay que era membro da Missão Militar Francesa.
Segundo Rodrigo Nabuco de Araujo tal Missão foi

[...] contratada em setembro de 1919 pelo governo brasileiro para auxiliar na instrução e modernização do Exército. As negociações para o contrato ocorreram em Paris, entre o adido militar brasileiro na França, coronel Malan d’Angrogne, e o ministro da Guerra francês, Georges Clemenceau (1917-1920). Já naquele momento o chefe designado, general Maurice Gamelin, se encontrava em missão de reconhecimento no Brasil. O contrato foi assinado poucos meses depois na capital francesa e ratificado logo em seguida no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Os termos do contrato estipulavam que oficiais franceses comandariam durante quatro anos as escolas de Estado-Maior (EEM), de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), de Intendência e Veterinária; e que o Brasil se comprometia a privilegiar a indústria francesa em suas compras de armas e equipamentos militares com a condição de que o material oferecido, o prazo de entrega e os preços fossem no mínimo equivalentes aos de outros países fornecedores. Embora tenha sido contratada por quatro anos, a missão se estendeu por 20 anos: seu contrato foi renovado seis vezes. Sua atuação, embora se concentrasse no Distrito Federal, teve impacto nacional.

Já o “Jornal do Brasil”, do Domingo seguinte, na matéria intitulada “O Brasil já contróe suas azas” afirmava que o avião com capacidade para dois passageiros além do piloto, foi construído com o objetivo de possibilitar certa facilidade nas manobras aéreas. Segundo o periódico, a aeronave tinha abertura (envergadura) de asas de 16m, largura das asas de 2m, comprimento de 6m incluindo o leme e superfície total de 50 metros.
De acordo com o mesmo jornal a ideia era o primeiro voo acontecer no inicio de abril, porém só ocorreu em 18 de maio. Essa experiência, contudo, foi feita sem a participação da imprensa e do público. Apenas o “Correio da Manhã” em uma pequena nota na edição de 18 de maio, pela manhã, noticiava que o Ministro da Guerra iria aos Afonsos para tal evento.

Somente no dia 3 de junho, segundo o periódico “O Jornal”, em sua edição de 4 de junho, foi realizada uma experiência aberta ao público e a imprensa. Com a presença do chefe do Estado-Maior do Exército Marechal Bento Ribeiro e do chefe da Missão Militar Francesa Emillie Gamelin, além de oficiais americanos, chilenos, uruguaios, franceses e brasileiros. Segundo a notícia, o evento foi um sucesso e a aeronave deixou uma excelente impressão naqueles que estavam no Campo dos Afonsos.

Dois anos após o primeiro voo do Rio de Janeiro, “A Gazeta de Noticias” ao tratar da construção da aeronave “independência”, nas oficinas do Campo dos Afonsos, pelo mesmo Capitão Lafay, afirmava que a primeira voava diariamente, desde o primeiro voo, e que se mantinha sem nenhuma modificação o que provava a sua segurança. Além disso, desde de sua saída das oficinas de Lage & Irmão, já havia transportado 200 passageiros e realizado uma viagem Rio - São Paulo - Rio.

Segundo o mesmo matutino o avião havia sido o responsável pelo recorde sul-americano de maior permanência em voo, que o piloto conseguiu em 29 de agosto de 1920. O francês manteve a aeronave no ar por 10 horas e quarenta minutos. Outro fator importante é que com dois passageiros a bordo, alcançou 2000 metros de altitude em 22 minutos.

Esta ultima informação nos coloca a par da importância de tal aeronave para o inicio da indústria aeronáutica brasileira. Apesar de uma total influência francesa, pois os três primeiros aviões construídos aqui eram projetos franceses, nossos técnicos iniciavam a experiência de construí-los.

*O autor é Suboficial da Força Aérea Brasileira e Doutor em História Comparada pelo Programa de Pós Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Referências
FUNDAÇÃO MUSEU DE TECNOLOGIA DE SÃO PAULO. Vencendo o Azul
A História da Indústria e Tecnologia Aeronáuticas. In: http://www.museutec.org.br/resgatememoria2002/old/enciclop/cap002/018.html. Acesso em 14/MAI/2016.

ARAÚJO, Rodrigo Nabuco de, Missão Militar Francesa, http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/MISS%C3%83O%20MILITAR%20FRANCESA.pdf. Acesso em 14/MAI/2016.

A NOITE, Rio de Janeiro, Ed. 2956, p. 2, 6 mar. 1920.

CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, Ed. 7748, p. 1, 18 mai. 1920.

GAZETA DE NOTICIAS, Rio de Janeiro, Ed. 108, p. 1, 12 mai. 1922

JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro, p. 6, 7 mar. 1920.

O JORNAL, Rio de Janeiro, Ed. 264, p. 7, 7 mar. 1920.

O JORNAL, Rio de Janeiro, Ed. 352, p. 3, 4 jun. 1920.

 

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