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Nos dias 27 e 28 de setembro, o Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR) sediou a primeira edição do “Seminário Igualdade Racial”, voltado para a formação das comissões de heteroidentificação racial nos processos seletivos da Força Aérea Brasileira. Trata-se de um processo complementar para os candidatos que se autodeclaram negros no ato da inscrição. O evento contou com a presença do Diretor de Ensino da Aeronáutica, Major-Brigadeiro do Ar Rui Chagas Mesquita, que destacou a importância da iniciativa e da implantação do sistema de cotas.

Foram 14 horas de atividades distribuídas em dois dias, traçando um panorama amplo e multifacetário da questão do racismo e da identidade racial, contando com profissionais de diversos campos - sociologia, direito, educação, estatística e do próprio meio militar. “As Forças Armadas estão se alinhando com o desejo da sociedade brasileira de corrigir uma dívida histórica com a população negra. O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão, após 350 anos da prática. Foram 800 mil escravos libertos que tiveram de recomeçar do zero, o que causou um grande impacto em suas vidas, impacto esse que reverbera até hoje.”, explica o Coronel Aviador Adelson Nogueira da Mota, chefe da Divisão de Admissão e Seleção do CIAAR e coordenador do Seminário.
Em seu primeiro dia, o Seminário contou com palestras sobre “História da Escravidão”, “Racismo”, “Marco Legal para a Política de Cotas”, “Estatuto da Igualdade Racial” e “Estatística Racial”, buscando formar um amplo panorama sobre a questão racial no Brasil. A mesa redonda sobre “Racismo Estrutural e Institucional” e a “Oficina de Formação para Procedimento de Heteroidentificação Complementar” foram as atividades do segundo e último dia do Seminário, complementando os objetivos do evento.
“É um privilégio participar desta iniciativa pioneira nas Forças Armadas. Trata-se de um compromisso de reconstruir este aspecto da Nação Brasileira possibilitando a ampliação de oportunidades para os diferentes grupos da nossa sociedade, através desta política que aqui está sendo implementada.”, elogiou o Professor Rodrigo Ednilson de Jesus, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, que participou da mesa redonda.
Já a Professora Fernanda Ferreira Mota de Sena, da rede municipal de educação e do Centro Universitário de Belo Horizonte UNI-BH, revelou uma conexão inusitada com o CIAAR: “A escola estadual na qual estudei tinha uma biblioteca bem limitada, e não tínhamos livros em casa. Sou a mais velha de cinco filhos e meu pai, pintor de parede, não tinha condições de comprá-los. Sabe onde eu fazia minhas pesquisas? Na biblioteca do CIAAR. Sempre após as aulas, eu fazia uma caminhada de 15 minutos até o CIAAR, já que também não tinha dinheiro para ônibus”, contou, emocionada, a Professora Fernanda. “O CIAAR fez parte de minha formação cultural e fico muito grata e honrada de participar deste momento tão emblemático”, diz a Professora Fernanda, que ministrou a palestra sobre o Estatuto da Igualdade Racial.

“Estou profundamente comovida em participar de um evento como este numa instituição militar.”, disse a Professora Dalva Maria Soares, que também integrou a mesa redonda. “Penso que o racismo é nosso problema mais urgente, e ver uma instituição militar refletindo sobre formas de combatê-lo me deixa muito orgulhosa. Tem uma música (“Anthem”, de Leonard Cohen) que fala que em tudo existe uma brecha, e é assim que a luz entra. Um evento como esse é uma fresta por onde a luz começa a entrar. É um alento muito grande”, completa a Professora Dalva.
“É uma grande honra para nós sediarmos um evento desta importância. O CIAAR orgulha-se de ser pioneiro dentro das Forças Armadas em inserir no ambiente militar uma discussão tão vital e tão profundamente atual.”, diz o Brigadeiro do Ar Mário Sérgio Rodrigues da Costa, Comandante do CIAAR. “A reflexão resultante deste encontro e de diferentes olhares e diferentes aspectos nos ajuda a superar a fase da discussão do mérito e passar para a fase da ação e da execução desta política de inclusão. O retorno de todos os envolvidos, dos palestrantes ao corpo discente, foi extremamente positivo”, completa o Brigadeiro Mário.
O Seminário contou com a participação de representantes e comissões de todas as unidades de ensino da FAB: CIAAR, Academia da Força Aérea (AFA), Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) e Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), somando cerca de 90 participantes.
Palestras:
• História da Escravidão – Coronel Aviador Adelson Nogueira da Mota
• Racismo – Coronel Aviador Adelson Nogueira da Mota
• Marco Legal do Sistema Normativo de Promoção da Igualdade Racial – Prof. Me. Filipe Regne Mamede (Nova Faculdade)
• Estatuto da Igualdade Racial – Profª Mª. Fernanda Ferreira Mota de Sena (UNI-BH/PBH)
• Mesa Redonda: Racismo Estrutural e Institucional – Capitão Infantaria Eduardo Vítor de Jesus Alencar (CIAAR – mediador); Prof. Dr. Rodrigo Ednilson de Jesus (FAE/UFMG); Tenente Músico Paulo César Ramos Rezende (CIAAR) e Profª. Drª. Dalva Maria Soares (CORISCO)
• Oficina de Formação para Procedimento de Heteroidentificação Complementar – Divisão de Admissão e Seleção do CIAAR e participantes convidados das demais unidades de ensino da FAB

O Diretor de Ensino da Aeronáutica, Major-Brigadeiro Mesquita

Professor Rodrigo Ednilson

professora Dalva

Tenente Paulo Rezende

Professor Filipe

Major-Brigadeiro Mesquita, Professora Fernanda e o Brigadeiro Mário

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