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Aprimoramento da cultura organizacional por meio das recomendações de segurança de voo

rsvOs dados estatísticos referentes aos acidentes aeronáuticos ocorridos com a aviação civil brasileira indicaram que, no período de 2006 a 2015, houve 1.294 ocorrências classificadas como acidente. “Desse quantitativo, nota-se que a maior quantidade de acidentes (185) aconteceu no ano de 2012 e a menor quantidade (71), em 2006” (FCA 58-1, 2016).  

Em 2015, foram 126 acidentes que, lamenta-se reconhecer, na grande maioria poderiam ter sido evitados se houvesse por parte do operador da aeronave uma melhor adesão a práticas compatíveis com uma cultura de segurança de voo.

A informalidade presente em algumas relações estabelecidas no contexto organizacional interfere no adequado gerenciamento das atividades desenvolvidas pelos profissionais.

Falta de padronização e de critérios de operação, complacência coletiva e ausência de um sistema efetivo de reportes são apenas alguns dos elementos que sinalizam uma cultura frágil de segurança de voo.  

Essa vulnerabilidade do contexto organizacional foi diretamente apontada como um fator contribuinte para 72 dos acidentes entre 2006 a 2015, considerando apenas os acidentes cuja investigação foi concluída. Contudo, 373 das Recomendações de Segurança de Voo (RSV) emitidas nesse período estiveram relacionadas à cultura organizacional (Painel SIPAER, AGO/2017).

Tais RSV abordaram aspectos que, se devidamente observados, podem contribuir para o fortalecimento da cultura de segurança, elevando o nível de segurança operacional das organizações que compõem o sistema aeronáutico.

 

RSV e a Cultura Organizacional

Engrenagens que movem o sistema da Segurança Operacional

 A orientação para que se realize a divulgação de um Relatório Final e de seus possíveis ensinamentos talvez seja a recomendação mais frequente entre todas as RSV emitidas pelo CENIPA. Esse fato se explica pela compreensão de que não há elevação dos níveis de segurança operacional se não houver, por parte do sistema aeronáutico em sua totalidade, a capacidade de aprender com os erros e aprimorar suas práticas com base nos conhecimentos advindos das trágicas experiências que constituem os acidentes aeronáuticos.

Assim, a cultura de segurança pode ser ampliada e fortalecida quando há, por exemplo, a adoção de uma RSV que aborde a necessidade de que sejam estabelecidos canais de comunicação mais efetivos; sejam criados mecanismos para gerenciar a capacidade operacional dos tripulantes; ou mesmo para que os procedimentos adotados por determinada organização sejam revistos ou padronizados.

As possibilidades de construção de uma aviação mais segura estão diretamente relacionadas à capacidade das organizações de desenvolver uma aprendizagem contínua de seus profissionais e absorver os conhecimentos e lições aprendidas advindos de diversas fontes, inclusive daqueles que, infelizmente, não tiveram oportunidade de aprender com erros que lhes custaram a vida.

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